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26/06/2020 - GENTE PENSANTE

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GENTE PENSANTE

VEJA NA EDIÇÃO 1821: NAS BANCAS DE 26/06 A 02/07.

Veja também a crônica deste mesmo colunista da edição 1820 abaixo: 

QUANDO A CLARIDADE É INVADIDA POR UM TRISTE BREU ,

Havia mais de um ano que a discreta e elegante mulher fazia terapia em outra cidade. Disse para o marido que era porque a terapeuta que ela escolhera era a melhor da região, mas, na verdade, tinha medo de ver, um dia, a sua vida íntima exposta na cidade, onde era um exemplo de profissional, esposa e mãe. Porém, nesses 12 meses ou mais de terapias semanais, ela nunca revelou nada demais para a terapeuta. Só coisas do dia a dia, como briga de filhos e outros arranhões familiares que acontecem em todo e qualquer lar. Porém, naquela quinta-feira de céu acinzentado, aquela mulher, enfim, resolveu mostrar o lado obscuro da sua alma. Falou, com grande dificuldade:

- Há quase 2 anos, ficou escuro dentro de mim... Muito raramente, alguma luz tem cintilado nesse breu que hoje eu sou, por dentro, mas, logo, logo, volto à escuridão, onde residem os meus indomáveis instintos e os meus desejos, antes reprimidos...

Nessa hora, a terapeuta, que lembra demais a 1ª dama deste país, Michelle Bolsonaro, ainda que não tão jovem, ajeitou-se na confortável cadeira grená e perguntou:

- Você disse desejos, antes reprimidos... Fale sobre eles...

- São coisas que me dão medo, me assustam... e não estou pronta para falar sobre isso, nem com você!

A terapeuta tentou suavizar:

- Você tem razão, porque tudo que é claro está no consciente. Todo o resto, os escuros, como você disse, estão no nosso inconsciente, mas ele também é real. São pensamentos, desejos e até... atos proibidos. São memórias que nenhum de nós quer ver sob a luz do consciente. Aí, nos afastamos da claridade e as memórias difíceis se instalam lá, na nossa escuridão, nos atormentando, nos fazendo sofrer... Fazem a gente adoecer, sabia? Nos tornam histéricos...

A cliente, que já chorava, urrou, ao ouvir tais palavras. Consumiu, em minutos, todos os lenços de papel propositalmente colocados, na mesinha central daquele frio e bem decorado consultório. A discreta e elegante mulher continuou chorando e soluçando, durante o tempo que faltava para encerrar aqueles 10 minutos – nem 1 minuto a mais. E também nem um centavo a menos e pagos com cartão de débito. 

E você, carrega também algo obscuro no peito que lhe amedronta e assusta? Uma boa leitura!

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