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Ano 42 - Nº 2142

02 de Outubro de 2026

2142

“RECEBEMOS PARÁ-MINENSES EM REMISSÃO DO CÂNCER, PARA ACOMPANHAMENTO GRATUITO EM SAÚDE CAPILAR”

Notícias

07/10/2026
“RECEBEMOS PARÁ-MINENSES EM REMISSÃO DO CÂNCER, PARA ACOMPANHAMENTO GRATUITO EM SAÚDE CAPILAR”

A reportagem GP conversou com a médica tricologista, saúde capilar, Isabella Gaede Tolentino, 34, solteira, sem filhos, pará-minense residente em Belo Horizonte, filha da artista plástica Érica Gaede e do economista Maurílio Tolentino. Isabella é especialista no tratamento de doenças e condições relacionadas aos cabelos, pelos e couro cabeludo e criou um projeto pioneiro chamado Evivas, em homenagem à sua avó materna, saudosa Elma Vivas (Gaede por casamento). Confira o resumo do que ela disse.

“Fiz pós-graduação em dermatologia e, dentro dessa área, fui me encantando, cada vez mais, pela saúde capilar. A tricologia me chamou atenção, porque percebi que o cabelo vai muito além de uma questão estética. Busquei formação específica, inclusive em Portugal, além de experiências e aperfeiçoamentos fora do Brasil, como uma imersão na Universidade de Michigan, em Ann Arbor/EUA. Meu trabalho é voltado, principalmente, para o diagnóstico e tratamento das doenças dos cabelos e do couro cabeludo. Minha filosofia é muito baseada na frase Antes de tratar a queda, precisamos entender por que aquele cabelo está caindo. Não acredito em protocolos iguais para todo mundo. Duas pessoas podem chegar ao consultório com a mesma queixa de queda e terem causas completamente diferentes. Atuo, principalmente, no diagnóstico e tratamento das alopecias e das alterações do couro cabeludo, como alopecia androgenética, eflúvio telógeno, alopecia areata, alopecias cicatriciais e diferentes condições inflamatórias. No consultório, além do acompanhamento médico, utilizamos recursos que podem fazer parte do plano terapêutico, de acordo com cada diagnóstico, como fotobiomodulação, com Led e laser, terapias injetáveis, MMP capilar e outros protocolos voltados à saúde do couro cabeludo e do folículo. A chamada soroterapia pode ser utilizada, em situações selecionadas e com indicação médica, como estratégia complementar, quando existe uma necessidade clínica específica identificada na avaliação do paciente,” explica Isabella.

FALE DO EVIVAS – “Esse projeto nasceu de uma história muito pessoal e o nome é uma homenagem à minha avó, Elma Vivas e carrega muito daquilo que acredito. Ou seja, oferecer atendimento em saúde capilar a mulheres que passaram pelo câncer e que, mesmo depois do tratamento oncológico, continuam enfrentando consequências que afetam sua autoestima e sua identidade. Hoje, contamos com uma equipe de profissionais voluntários e oferecemos acompanhamento especializado para mulheres em remissão, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social. O que mais me marca são as histórias! Quando uma mulher chega até nós, dizendo que venceu o câncer, mas ainda não consegue se reconhecer no espelho, por causa do cabelo, entendemos que existe uma parte da recuperação que muitas vezes não recebe a mesma atenção. O Evivas nasceu justamente para cuidar dessa etapa. Tudo começa com uma boa conversa. Eu faço uma anamnese detalhada para entender quando a queda começou, como evoluiu, histórico familiar, alimentação, medicamentos, cirurgias, doenças recentes, alterações hormonais, emagrecimento, estresse e diversos outros fatores. Depois, realizamos o exame físico e a tricoscopia, que é fundamental para avaliar o couro cabeludo e os fios com aumento e identificar padrões que não conseguimos observar a olho nu. Dependendo do caso, também solicitamos exames laboratoriais e, em situações específicas, exames complementares. O cabelo funciona muitas vezes como um reflexo do que está acontecendo no organismo. Estresse intenso, privação de sono, dietas muito restritivas, perda rápida de peso, deficiências nutricionais e alterações hormonais podem interferir diretamente no ciclo capilar e desencadear ou agravar quadros de queda. Os sinais de que uma pessoa deve procurar uma avaliação médica seria uma queda que persiste ou aumenta, redução perceptível do volume, alargamento da risca do cabelo, entradas ficando mais evidentes ou surgimento de áreas sem cabelo. Tudo isso merece investigação. Também é importante observar o couro cabeludo. Coceira persistente, ardor, dor, descamação intensa, vermelhidão, feridas ou outras alterações não devem ser normalizadas. Quanto mais cedo algumas doenças capilares são diagnosticadas, maior pode ser a possibilidade de preservar os folículos e evitar progressão. Por isso, não é necessário esperar a queda se tornar intensa, para procurar um médico. Já recebi pacientes que deixaram de prender o cabelo, de tirar fotografias, de sair ou até de se olhar no espelho, da mesma maneira que antes, por causa da queda. Então não podemos enxergar esse paciente apenas como um couro cabeludo que precisa ser tratado. Tratar cabelo também é, muitas vezes, ajudar alguém a recuperar autoestima, segurança e identidade. A saúde capilar ainda é frequentemente vista apenas como uma questão estética, mas existem diversas doenças que se manifestam, por meio da queda de cabelo e de alterações no couro cabeludo. Quanto mais cedo identificamos a causa de determinadas alterações, mais cedo podemos instituir uma estratégia adequada. Cuidar do cabelo começa pelo diagnóstico.”

E ESSAS SOLUÇÕES MILAGROSAS DA INTERNET? – “Esse é um dos grandes desafios atuais. A queda de cabelo gera muita ansiedade e, justamente por isso, o paciente fica mais vulnerável a promessas de resultados rápidos. Não existe um único shampoo, vitamina, suplemento ou procedimento capaz de tratar todas as causas de queda. A indicação do transplante capilar é uma decisão que depende, principalmente, do diagnóstico, da condição da área doadora e do estágio da doença. Existem situações em que conseguimos preservar e melhorar muito os fios existentes com tratamento clínico. Em outras, quando determinados folículos já foram perdidos de forma irreversível e o paciente possui uma área doadora adequada, o transplante pode ser considerado. Mas existe um ponto muito importante: transplante capilar não substitui diagnóstico, nem tratamento clínico. Mesmo um paciente transplantado pode precisar de acompanhamento para preservar os fios que não foram transplantados.”

ALGO MAIS? – “Quero continuar investindo em formação, pesquisa, tecnologia e em uma medicina capilar, cada vez mais, individualizada. Também pretendo ampliar minha atuação e levar esse padrão de atendimento a mais pacientes, além de fortalecer uma área que se tornou muito importante na minha trajetória: a tricologia oncológica. Um dos meus grandes objetivos é contribuir para a produção científica nessa área e fortalecer o projeto Evivas, ampliando parcerias e permitindo que, cada vez mais, mulheres em remissão do câncer tenham acesso gratuito ao acompanhamento da saúde capilar. Ainda não realizo atendimentos em Pará de Minas, mas já existe uma conexão muito especial com a cidade, por meio do projeto. Isso, porque recebemos mulheres de Pará de Minas que estão em remissão do câncer, para acompanhamento gratuito em saúde capilar. Para mim, é muito gratificante perceber que o projeto está ultrapassando os limites de Belo Horizonte e alcançando mulheres de outras cidades.”

* Para saber mais sobre, acesse o instagram @draisabellagaede

A médica tricologista, saúde capilar, pará-minense Isabella Tolentino (D) e uma de suas pacientes, Rozilene: “Já recebi pacientes que deixaram de prender o cabelo, de tirar fotos, de sair de casa e até de se olhar no espelho, como antes, por causa da queda de cabelos”


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