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Ano 42 - Nº 2138

04 de Setembro de 2026

2138

PACIENTE EM GESTAÇÃO DE ALTO RISCO DÁ À LUZ NA CIDADE

Notícias

08/09/2026
PACIENTE EM GESTAÇÃO DE ALTO RISCO DÁ À LUZ NA CIDADE

Uma gravidez inesperada, cercada de incertezas, transformou a rotina de tratamento de Natielle Aparecida Duarte, 31, paciente do serviço de Hemodiálise do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC). Enquanto se preparava para realizar um transplante renal, ela descobriu que estava grávida de 5 meses. A notícia trouxe surpresa, medo e muitas dúvidas. Pacientes em tratamento dialítico podem engravidar, embora as chances sejam menores e a gestação seja considerada de alto risco. Com o acompanhamento da equipe de saúde e a intensificação das sessões de hemodiálise, Natielle conseguiu levar a gravidez adiante e dar à luz Lourenço, que nasceu saudável e com mais de 3KG. A história de Natielle com a doença renal começou após o nascimento de seu 1º filho, Pietro. Segundo ela, uma grave hemorragia provocou uma piora significativa no seu estado de saúde e a necessidade de internação no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Depois desse episódio, passou a depender da hemodiálise. Com o passar do tempo, Natielle iniciou a preparação para um transplante renal. O processo já estava em fase avançada e seu marido, considerado compatível, seria o doador. Os planos, no entanto, precisaram ser interrompidos quando ela percebeu mudanças no corpo e decidiu realizar um exame de gravidez. A reportagem GP conversou com ela. Veja.

“Eu sentia minha barriga mais dura e comecei a achar que estava grávida. Depois, percebi que a barriga estava mexendo. Fiz o exame e descobrimos que eu já estava com cinco meses de gravidez. Foi um susto enorme para nós dois. Esse medo inicial estava relacionado, principalmente, às dificuldades vividas após o meu 1º parto, porque eu temia passar, novamente, por uma situação grave. Durante as primeiras conversas com a equipe médica, eu fui informada sobre os riscos da gestação, entre eles a possibilidade de aborto, parto prematuro e baixo peso do bebê. Para aumentar a minha segurança foi necessário ampliar a frequência das sessões de hemodiálise e manter um acompanhamento atento, durante toda a gravidez,” relembra Natielle.

A VISÃO MÉDICA - Inicialmente, chegou a ser considerada a transferência de Natielle para Belo Horizonte. Porém, após a avaliação das condições clínicas e da assistência disponível, a equipe entendeu que o parto poderia ser realizado em Pará de Minas, com o suporte necessário. Veja o que disse o nefrologista Roberto Kenedy Gomes de Oliveira, integrante da equipe do HNSC.

“No início, a notícia da gravidez foi um baque, porque ela não fazia parte dos planos do casal. Aí, eles conversar conosco. Orientamos que mantivessem a calma e que acompanharíamos cada etapa. Uma gestação é uma excelente notícia, mas, quando acontece fora do planejamento e em uma situação de saúde delicada, é natural que provoque insegurança O apoio da equipe é muito importante. O Centro de Hemodiálise do HNSC é reconhecido pelo tratamento humanizado, pela atenção e pela proximidade com os pacientes. Esse cuidado faz diferença, especialmente em situações como a vivida pela Natielle. A paciente que precisa de diálise não está impedida de engravidar. Ela continua fértil, embora as chances sejam menores. As gestações exigem atenção e acompanhamento maiores. No caso da Natielle, tivemos uma evolução espetacular. A gravidez foi muito tranquila e o parto, realizado aqui mesmo na cidade, aconteceu sem intercorrências, com toda a assistência de que ela precisava. Naturalmente, houve cuidado e atenção redobrados, mas não tivemos problemas”, destaca o nefrologista.

VONTADE DE VIVER DUPLICADA - Lourenço nasceu um dia depois do aniversário da mãe, que também deu o seu depoimento.

“Os técnicos de enfermagem, os colaboradores do setor e o médico que acompanhou a minha evolução foram muito atentos comigo. Quero agradecer à equipe da Hemodiálise, à Tamara, ao Ivan, ao doutor Kenedy e a todos que me ajudaram. Graças a Deus, correu tudo bem. Eu já tinha muita força para viver, por causa do Pietro. Agora, com a chegada do Lourenço, essa força duplicou. Meus filhos são tudo para mim! O amor é surreal! Quando estou em casa com os dois, eu até me esqueço que faço hemodiálise. Não tenho tempo para pensar nisso. Durante as sessões, fico olhando as fotos dos dois, morrendo de saudade. O sorriso de um filho e a alegria de chegar em casa superam qualquer coisa. Agora, quero reiniciar os exames necessários para receber o transplante renal. Eu já estava na reta final, mas vou precisar fazer os exames, novamente. E tenho fé de que vai dar tudo certo. Hoje, meus filhos são minha maior força e o meu motivo maior para continuar”, conclui Natielle.

Natielle Duarte só descobriu que estava grávida aos 5 meses, quando se preparava para um transplante renal: “Eu já tinha muita força para viver, por causa do Pietro. Agora, com a chegada do Lourenço, essa força duplicou”