Selo Gazeta Pará-minense
Logo Gazeta Pará-minense Fundador: Francisco Gabriel Bié Barbosa

Alcance, credibilidade e imparcialidade,
desde 1984

Ano 42 - Nº 2129

08 de Julho de 2026

2129

“ENQUANTO NÃO HÁ MORTE, HÁ ESPERANÇA”

Notícias

08/07/2026
“ENQUANTO NÃO HÁ MORTE, HÁ ESPERANÇA”

A dor da incerteza e a força da esperança marcam a rotina de uma mãe que vive meses de angústia, desde o desaparecimento de seu filho mais velho. Sem notícias e sem respostas que tragam conforto, ela tem mobilizado familiares, amigos e parte da comunidade em busca de qualquer informação que possa ajuda-la a encontrá-lo. Cada ligação recebida, cada mensagem e cada compartilhamento nas redes sociais renovam a expectativa de um reencontro que a família aguarda, com muita esperança e ansiedade. Enquanto as buscas continuam e a esperança permanece viva, a mãe faz um apelo emocionado à população, para que qualquer informação relevante seja comunicada às autoridades, reforçando que a colaboração da comunidade pode ser fundamental para trazer seu filho de volta pra casa e encerrar um período marcado pela aflição, pelo sofrimento e por uma espera que parece não ter fim. A reportagem GP conversou com Grasiele Cristina da Silva, 42, cantineira escolar na Escola Municipal Dona Cotinha, no bairro Padre Libério e residente no bairro Walter Martins. Confira.

“Sou casada com Wellington Rodrigues dos Santos, 45, aposentado, com quem tenho dois filhos: Lucas Henrique da Silva Santos, 23, que está desaparecido e Brayan Emanuel da Silva Santos, 14, que mora com a gente,” apresenta-se Grasiele.

QUEM É ELE? – “Lucas é um rapaz calmo, carinhoso, mas calado, de pouca conversa e poucos amigos. Ele ficou amigado por, mais ou menos, 1 ano, quando teve um filho chamado Israel Philipe. Depois, a mulher dele morreu e, infelizmente, em junho do ano passado, quando esse meu neto tinha 2 anos, ele faleceu por engasgo. Lucas estava muito triste com isso, mas em outubro, ele recebeu uma proposta de trabalho para ir para Pratápolis/MG (distante 329KM ou 4H34MIN de Pará de Minas, essa cidade  fica região de Passos e tem cerca de oito mil e quinhentos habitantes). Era para trabalhar como eletricista de manutenção na empresa LGM Automação Industrial, prestando serviços para Morro Verde/MG, juntamente com uma turma de Pará de Minas. Me contou todo animado que tinha arrumado esse emprego, um pouco longe de casa. Fiquei preocupada, mas como ele estava precisando trabalhar eu o apoiei, apesar de ter ficado com o coração na mão.”

COMO ELE DESAPARECEU? - “Lucas estava trabalhando lá há uma semana, quando um dia saiu de casa pra comprar cigarros e não voltou mais. Mas ele saiu de casa naquela noite, com a intenção de voltar, porque não levou blusa de frio, deixou o carregador do celular e suas roupas na república, onde ele morava. A última vez que eu falei com ele, por telefone foi no sábado, 25 de outubro do ano passado e estava tudo muito bem, a maior farra. Conversou comigo brincando e fazendo piadas, o tempo todo. A gente conversava todos os dias. Mas no domingo, 26, um dia depois da nossa última conversa, nem bom dia ele falou mais. Eu percebi que ele havia desaparecido, mais ou menos, às 6H15 do dia 27, segunda-feira, quando o encarregado dele ligou pra gente, pedindo para tentar entrar em contato com ele, porque eles não conseguiram. Aí, eu tive certeza do desaparecimento, porque uma pessoa não some assim, do nada. Depois disso, fizemos Boletins de Ocorrência (BO) e fomos várias vezes em Pratápolis, porém não chegou nenhuma informação, só tentativas da polícia. Com certeza, existem muitas perguntas sem respostas: Como rastrear um celular e não ter resposta? O Olho Vivo, que consegue filmar muita gente passando, por que não filmou o meu filho? Ele tem alcance até dentro dos carros, por que não acha o meu filho? Se fosse uma autoridade, o empenho seria o mesmo?

E AGORA? - “Sobreviver com a falta dele eu não consigo nem falar... sou mãe, a dor é tão grande, a luta é tão intensa que não tem como eu expressar, porque um filho desaparecer sem deixar rastros gera muita incerteza. Eu sinto que as buscas ou investigações perderam a força, o tempo e a boa vontade, mas espero que as autoridades se coloquem em meu lugar e no lugar de tantas outras mães que vivem o mesmo que eu. Eu gostaria de dizer pra alguém que possa ter visto o meu filho ou tenha qualquer informação dele que me ajudem, por favor. Não decidi falar do caso só agora, pois falo dele, desde o início, saiu até na Rede Record de Televisão, que fez duas reportagens comigo. Nas minhas redes sociais eu sempre coloco todos os dias e panfletei nas cidades vizinhas. Aqui em Pará de Minas não tive muitas oportunidades de divulgação e  a GAZETA é o 1º veículo com quem falo publicamente sobre o caso.”

O QUE VOCÊ ACHA QUE ACONTECEU? – “O que mantém viva a minha esperança de reencontrar meu filho, depois de tantos meses sem respostas, é que nunca encontraram um corpo compatível com o, dele. Então, enquanto não há morte, há esperança!”

ALGO MAIS? – “A minha rotina de hoje é procurar por ele e toda oportunidade que tenho vou em Pratápolis, novamente. Ligo para a polícia de lá, o tempo todo. Tanto que até desenvolvi muita ansiedade. Se meu filho pudesse ouvir minhas palavras nesse momento, gostaria de saber se ele está bem. Como mãe, tenho medo dele ter tido um surto, pela perda do filho dele. As roupas dele a empresa já trouxe de volta para mim. A turma que foi com ele pra lá já retornou pra cá, novamente, porque já acabou o serviço. Gostaria de agradecer as pessoas que vem me ajudando, durante todo esse período difícil e também a vocês, do jornal GAZETA, por abrirem um espaço para eu contar essa minha triste história. Qualquer informação, peço que entrem em contato comigo pelo meu celular (37) 9 8840-4550, do meu marido (37) 9 9948-8064, do meu irmão, Dênis, (37) 9 9148-2562, do meu amigo Evanir (37) 9 9859-5530 ou nas minhas redes sociais: instagram @grasi.silva.3363. Muito obrigada!”

O aposentado Wellington Rodrigues dos Santos, a cantineira escolar, Grasiele Cristina da Silva, e o filho deles, Lucas Henrique da Silva Santos, 23, desaparecido há 9 meses: “Eu sinto que as buscas ou investigações perderam a força, o tempo e a boa vontade, mas espero que as autoridades se coloquem no meu lugar e no lugar de tantas outras mães que vivem o mesmo que eu estou vivendo...”