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Ano 42 - Nº 2115

02 de Abril de 2026

“EM MEU COLO, ROXA E SEM RESPIRAR, EU TIVE A PIOR EXPERIÊNCIA: MEDO E IMPOTÊNCIA”

Notícias

02/04/2026
“EM MEU COLO, ROXA E SEM RESPIRAR, EU TIVE A PIOR EXPERIÊNCIA: MEDO E IMPOTÊNCIA”

A leucemia linfoide aguda (LLA) é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo. A doença tem origem na medula óssea, onde células imaturas passam a se multiplicar, de forma descontrolada, comprometendo a produção normal do sangue. Considerada a forma mais comum de câncer infantil, a LLA exige diagnóstico rápido e tratamento imediato, fatores determinantes para aumentar as chances de cura. Os sintomas podem surgir de forma silenciosa e, muitas vezes, são confundidos com doenças comuns da infância. Entre os sinais mais frequentes estão cansaço excessivo, palidez, febre persistente, manchas roxas pelo corpo, sangramentos frequentes e dores nos ossos ou articulações. Diante desses indícios, a orientação médica é essencial para a realização de exames laboratoriais e confirmação do diagnóstico. O tratamento da LLA é feito, principalmente, por meio da quimioterapia, podendo ser associado a outros métodos, como terapia-alvo e, em casos específicos, transplante de medula óssea. Apesar de ser uma doença grave, os avanços da medicina têm proporcionado índices cada vez maiores de cura, especialmente quando o diagnóstico ocorre, precocemente. Além do acompanhamento médico, o suporte emocional e social à criança e à família é fundamental durante todo o processo de tratamento, que pode ser longo e desafiador. Campanhas de conscientização também desempenham papel importante, ao alertar sobre os sinais da doença e incentivar o diagnóstico precoce. Em 2023, no GP 1962, foi feita uma matéria com a nutricionista e empreendedora Bianca Moreira de Castro, 31, solteira, residente no bairro Belvedere, que esteve na sede desta GAZETA, carregando no colo a filha Aurora de Castro Costa, na época com 1 ano e 7 meses. Ela havia nascido com 8 meses e diagnosticada com kernicterus, uma síndrome lesional do tecido nervoso, causada pelo aumento da bilirrubina indireta. Devido a isso, ocorreu nela uma paralisia cerebral, antes dos 2 anos de idade. Fora isso, ela também desenvolveu distonia, quando ela não conseguia ter o controle dos próprios movimentos. Assim, quando ela ia fazer um movimento qualquer, ela fazia outro, totalmente diferente. Após ser divulgada a entrevista, Bianca recebeu mais uma triste notícia: sua filha foi diagnosticada com leucemia (LLA), mas hoje, com 4 anos, ela venceu o câncer e bateu o sino do hospital, que simboliza o término do tratamento. Um momento de vitória, superação e esperança celebrado por ela, familiares e equipe médica. Ao tomar conhecimento dessa boa nova, a reportagem GP fez essa reportagem emocionante de superação dessa mãe e sua filha contra esse câncer. Não deixe de ler.

“Quando recebi o diagnóstico de leucemia (LLA) da minha filha ⁠foi um misto de medo e impotência, como se o chão deixasse de existir sob os meus pés e não houvesse mais solução. O que passou pela minha cabeça foi o medo de ⁠perdê-la e isso me assombrou, desde o 1º dia. Aurora tinha apenas 2 anos e foi um momento muito delicado pra ela, que sentiu medo e insegurança. Ela estava no meio de seus tratamentos terapêuticos para a paralisia cerebral, quase conseguindo se sentar sozinha. Foi muito informação, gerando muito ansiedade nela. Ela reagia às consultas, exames e internações com muito medo, desregulando-se toda. Sempre que ela percebia iríamos para o hospital, ela se desesperava, mas, com o passar dos meses, mesmo com medo, ela foi entendendo que sempre voltaria para casa. Não teve um momento específico em que eu pensei que não conseguiria continuar, pois era um combo de situações. Nunca pensei em desistir, mas o emocional acabou pesando, quando eu sofri de ansiedade e tive depressão. Foram meses muito difíceis, mas sempre olhei para a situação que a minha filha se encontrava e tentava ver o lado positivo disso tudo. O que mais me emocionou durante esse tratamento foi ela estar sorrindo em todos esses momentos ruins. Inclusive no dia em que eu quase a perdi, quando eu a encontro em um quarto de UTI, sorrindo pra mim, como se quisesse me dizer: Oi mamãe, ainda estou aqui,” relembra Bianca.

VOCÊ TEVE APOIO? - “As pessoas que mais me apoiaram durante essa dura caminhada foram a minha família e o meus seguidores. Eles me apoiaram, financeiramente, por meio das campanhas que realizei. Se não fosse essas pessoas nem sei como teria conseguido custear tudo que a Aurora precisou. Mas, principalmente, a minha irmã. Eu devo todo apoio emocional a ela. Todos os fins de semana ela estava presente com a gente, tornando as internações mais leves. Todos da minha família ficaram com medo, principalmente por ela ter paralisia cerebral e não sabermos como seria a reação dela a tudo que isso que precisou enfrentar. As campanhas que eu realizei mantiveram todo o tratamento dela. Todas as internações, altas e tratamentos ambulatoriais. Não tinha como trazê-la, mas com a ajuda dessas pessoas eu pude custear as rodadas de táxis, que não foram nada baratas. Essas pessoas nos ajudaram em momentos tão delicados, que nem elas imaginam!”

“O MEDO ME ACOMPANHOU POR TANTO TEMPO QUE, QUANDO CHEGOU O MOMENTO, EU NÃO CONSEGUIA ACREDITAR”

O QUE LHE MARCOU MAIS? - “O que mais me marcou naqueles dias dentro do hospital foi quando Aurora passou por um código azul (risco eminente de morte), após mais de um litro de quimioterapia ter ido para o pulmão dela e ela ter uma parada cardíaca. Eu a segurei em meu colo, roxa e sem respirar. Ali, eu tive a pior experiência de medo e impotência. Achei que naquele dia, eu a perderia! Entretanto, horas depois, lá estava ela, em um bercinho,no quarto de uma UTI, sorrindo para mim, me mstrando que ela é muito mais forte do que eu imaginava. Assim, ela me deu forças para continuar firme, durante todo o restante do tratamento. Tocar o sino, que simboliza o fim do tratamento, foi só felicidade e alívio, mas, principalmente, gratidão pela vida dela. Desde o dia em que eu soube que restava apenas 1 mês, eu iniciei uma contagem regressiva para voltar para casa com ela. Eu senti em seu olhar a felicidade dela. O que passa no meu coração ao ver minha filha, tão pequena, superar um câncer é um misto de emoções. Eu não consigo colocar em palavras essa sensação. Mas é a sensação que eu sempre quis sentir, desde o 1º dia, quando eu soube do diagnóstico. Agora, a minha filha está aqui comigo. Depois de tudo que a gente viveu, os sonhos que eu tenho agora para o futuro dela é ⁠correr atrás da paralisia cerebral. Trazer de volta pra ela qualidade de vida!”

E O BATER DO SINO? – “A última quimioterapia da Aurora aconteceu no domingo, 22 de março, mas naquele momento, a ficha ainda não tinha caído. Parecia que eu estava vivendo um sonho, um momento que esperei por tanto tempo. Na segunda-feira, 23, foi o dia do encerramento. O dia em que oficializamos tudo com o toque do sino. Ainda assim, ao acordar, eu não conseguia entender completamente o que estava acontecendo. Eu esperei tanto por esse dia… então, por que a felicidade que eu tanto imaginei, agora não me atravessava? Eu me perguntava, porque eu não acreditava que aquilo era real. Acho que o medo me acompanhou por tanto tempo que, quando finalmente, chegou o momento, eu não conseguia, simplesmente, acreditar. Como sempre imaginei fazer uma carreata para ela nesse dia, foi o que eu fiz. Queria que a Aurora se sentisse não só especial, mas que soubesse que a vida dela é e sempre será motivo de celebração. E que ela é, profundamente, amada! No meu carro, escrevi: Aurora tem paralisia cerebral e hoje, aos 4 anos, venceu o câncer! Quando seguimos para a Oncoclínicas, em Nova Lima/MG, os motoristas começaram a buzinar. Aí, a minha ficha caiu e eu acreditei que tudo aquilo estava, realmente, acontecendo. Ver pessoas celebrando uma conquista que nem era delas, felizes pela cura de alguém que elas nem conheciam foi um dos momentos mais lindos que eu já vivi. À cada buzina, eu sentia como se fosse um sopro de vida sendo devolvido à minha filha. No momento tão esperado, ao tocarmos o sino, Aurora recebeu um certificado de coragem e o encerramento oficial do tratamento. Eu li a mensagem que fica ao lado do sino, mas não me lembro exatamente das palavras, mas quando cheguei na parte que dizia Toque o sino, para celebrar a sua vitória, eu desabei e tudo veio à tona – os dias de sofrimento e tudo o que minha filha enfrentou… e aquele momento em que eu quase a perdi. E agora, ali, eu a segurava nos meus braços, como um milagre entregue a mim!”

ALGO MAIS? - “O tratamento acabou, mas o acompanhamento continua pelos próximos 5 anos. Ele é necessário para monitorar possíveis recaídas, sendo os dois 1ºs anos os mais delicados. Nesse período, serão feitos exames mensais, que, com o tempo, vão sendo espaçados. Daqui pra frente, quero, principalmente, viver a vida mais intensamente e ser grata. A mensagem que deixo para outras mães e famílias que estão enfrentando o dignóstico da leucemia em uma criança é que ⁠o medo será nossa sombra, por muito tempo, mas é necessário que não o deixemos nos controlar. Confiem em todos os seus instintos e sejam loucos, se precisar. Afinal, vocês estão defendendo e querendo salvar a vida da pessoa que mais importa para vocês. E aproveite cada minuto com seu filho. Hoje, se eu pudesse voltar no dia em que recebi o diagnóstico, falaria para mim mesma: não duvide de sua força, nem da resiliência de sua filha. Ela é mais forte que você imagina. Agradeço a todos que me estenderam a mão a nós, nesse momento. Saibam que vocês foram essenciais, para que o tratamento acontecesse, da melhor forma possível. Obrigada por acolherem a história de uma criança, que a grande maioria só conhece pela tela. Vocês sempre farão parte da nossa história. Obrigada!”

A nutricionista e empreendedora Bianca de Castro e sua filha, Aurora, quando recebeu o diagnóstico de leucemia (E) e hoje, após vencer o câncer (D): “Achei que eu a perderia! Horas depois, ela estava em um bercinho, no quarto da UTI, sorrindo pra mim. Ela é muito mais forte do que eu imaginava...”


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