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Ano 42 - Nº 2113

19 de Março de 2026

2113

“A ESCOLA NÃO ME PASSOU, ATÉ HOJE, OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS”

Notícias

19/03/2026
“A ESCOLA NÃO ME PASSOU, ATÉ HOJE, OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS”

No sábado passado, 14, é bem provável que muitos pará-minenses, olhando para o céu para assistirem àquele show maravilhoso da Esquadrilha da Fumaça, não tenha pensado na possibilidade de um grave acidente no ar. Afinal, os sete aviões fizeram mirabolantes peripécias no ar, coladinhos um no outro. E é comum pensar isso, já que acidentes aéreos são eventos traumáticos que, embora causem profundo impacto emocional e social, impulsionam investigações rigorosas para identificar causas, como falhas técnicas ou humanas. A aviação utiliza essas tragédias, para aprimorar normas e tecnologias, garantindo que o transporte aéreo permaneça como um dos meios mais seguros do mundo. O objetivo não é apenas descobrir o que aconteceu, mas também evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer. Diante disso, a reportagem GP conversou com a empresária Eliza Faria, 50, solteira, residente no bairro Raquel, que contou sobre um incêndio ocorrido em seu avião, na pista do aeroporto municipal, no dia 25 de janeiro do ano passado. Esta matéria só não foi feita antes, porque Eliza estava esperando um acordo ou a emissão do laudo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por meio desse documento é que se verifica se a aeronave, a empresa e a tripulação estavam regulares e cumprindo as normas de segurança no momento do voo, mas ele ainda não foi emitido. Mesmo assim, dessa vez, Elisa concordou em receber a reportagem GP, para esta entrevista.  Confira todos os detalhes de como tudo aconteceu.

“Sou uma empresária que atendo muitos clientes que residem fora de Pará de Minas e, por isso, tirando a minha paixão por voar, essa aeronave era também um instrumento de trabalho. Sempre voei com um piloto profissional contratado, para demandas específicas. O meu único avião era um Cessna 172 e não tenho um hangar (local fechado para estacionar aviões), porque não há necessidade, uma vez que existem opções de aluguel de espaço de hangaragem em todos os aeroclubes, inclusive aqui, em Pará de Minas. A aviação é muito complexa, ninguém sabe tudo, e eu ainda tenho muito a aprender,” apresenta-se Eliza.

FALE DO ACIDENTE - “Minha aeronave encontrava-se regularmente arrendada à empresa DH Escola de Aviação Civil, sediada em Pará de Minas, com operações realizadas nas dependências do aeroclube. No dia do acidente, ela estava sendo utilizada em atividade de instrução prática, especificamente para a realização de exame, conduzida por um instrutor devidamente habilitado, acompanhado de um aluno em processo de obtenção de licença aeronáutica. Durante o procedimento de decolagem, ainda na fase inicial do voo, o instrutor identificou uma anormalidade caracterizada por pane, acompanhada de emissão de fumaça proveniente do painel da aeronave. Diante da situação emergencial, ele agiu com prontidão, comunicando, via rádio, a ocorrência aos órgãos competentes. Adotando os procedimentos de emergência recomendados para o caso, o instrutor optou pelo retorno imediato à pista, realizando pouso em segurança, sem registro de danos físicos aos dois ocupantes. Contudo, apesar da resposta rápida e eficaz na condução da aeronave até o solo, não foi possível conter o avanço das chamas, que evoluíram para um incêndio, resultando em danos severos à aeronave que ficou totalmente danificada. Ela não tinha seguro, porém a escola me assegurou que eu não saíria no prejuízo. Acontece que até hoje, mais de um ano após o acidente, ainda não conseguimos fechar um acordo, apesar de eu estar aberta à negociações. Nesse acidente, não tive apoio da escola de aviação ou do aeroclube, uma vez que não havia brigadistas do aeroclube no local. Quem atendeu ao chamado, com bastante profissionalismo, foi o Corpo de Bombeiros local que, apesar de toda prontidão, chegou ao local com a aeronave já em chamas, devido ao tempo gasto com o deslocamento. Como qualquer outra pessoa, ver um bem que você ama em chamas é muito triste e desconfortável... Porém, a minha paixão por aviões continua. Tanto é que, ainda neste ano, vou adquirir outro, da mesma fabricante.”

É NORMAL ACONTECER ISSO? - “Comigo nunca havia acontecido e ainda fui informada que essas aeronaves Cessnas não possuem históricos de incêndios. Felizmente, não ficou nenhum trauma após esse acidente. Considero como se tivesse sido em um carro que, após um acidente, você continua dirigindo e viajando nele, da mesma forma. Enfim, esse acidente, em nenhum momento, me fez pensar em parar de voar. Lógico que ele, de alguma forma, marcou a minha história, mas não define o meu destino. Portanto, continuo firme, seguindo o meu propósito e grata pelo acontecido em que não houve vítimas. Tenho hoje, ainda mais, amor e respeito pela aviação. O que aconteceu foi um fato isolado que ainda está sendo investigado pelo órgão responsável, que é o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que ainda não finalizou o laudo dessa investigação.”

ALGO MAIS? - “Quem quiser investir nessa área, digo que é uma excelente opção de investimento e, ainda mais, de deslocamento, considerando o custo/beneficio. Quem quiser investir, sugiro fazer a pré- compra, antes de adquirir, por meio de um bom profissional. Agora, para quem quer usar o avião para empresa, considero muito interessante realizar essa compra, por meio de cotas. Ou seja, dois ou mais empresários comprando em conjunto. No mais, esse acidente me deixou duas grandes lições para a minha vida: 1ª) lição para minha vida, já que foi um grande aprendizado, já que não houve nenhuma vítima, nem ninguém se machucou. Essa sempre foi a minha maior preocupação. 2ª) Sobre a manutenção de aeronaves é preciso acompanhar de perto, mas eu deixei tudo por conta da escola de aviação, que me arrendou a aeronave. Inclusive, até hoje eles não me passaram os documentos que pedi, referente às manutenções. No mais, a mensagem que deixo a todos os leitores da GAZETA é que temos em Pará de Minas um aeroclube que é referência. Então, para quem gosta, façam visitas, aulas e voos panorâmicos, porque temos uma excelente estrutura e uma ótima localização.”

* Quem tiver interesse em saber mais, confira no instagram: @elizafariam ou no youtube @papocomElizaFaria


Há 1 ano, a empresária Eliza Faria teve totalmente destruído, pelas chamas, o avião Cessna 172, de sua propriedade, que estava alugado para uma escola de aviação: “Não tive apoio da escola de aviação ou do aeroclube também, uma vez que não havia brigadistas no local”

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