Selo GP ANO 37 - Nº 1861
Pará de Minas 08/04/2021
Fundação:
Francisco Gabriel Bié Barbosa
Alcance, credibilidade e
imparcialidade,
desde 84
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GENTE PENSANTE

15/10/2020 | Colunista
GENTE PENSANTE O editor GP escreve mais uma crônica: Casal é que nem tampa com panela. Cada um tem a sua!

VEJA NA EDIÇÃO 1837: NAS BANCAS DE 16/10 A 22/10. DEPOIS, SÓ NA GAZETA.

Veja também a crônica deste mesmo colunista da edição 1835 abaixo:

POR QUE, ÀS VEZES, NOS APEGAMOS TANTO ÀS COISAS QUE NUNCA MAIS USAREMOS?

Na sessão terapêutica daquele dia, o homem analisado falou de algo externo ao seu ser, atropelando as palavras: 

- Nossa, estou vivendo um momento meio difícil... Aí, resolvi dar uma limpeza nos meus guardados e agora estou com caixas e mais caixas de coisas e tralhas pelo apartamento afora, sem saber o que fazer com tanta tralha...

A competente analista não deixou por menos:

- Quer falar de limpezas externas, desta vez, ou prefere continuar com a limpeza dos seus guardados internos que você apenas começou, na última sessão?

Ele, que parecia ter preferido dar um tempo na bagunça que se encontravam as suas prateleiras interiores, preferiu dar um tempo, até que toda a poeira se assentasse, novamente. Assim, continuou, como se nada tivesse ouvido:

- Pois então, cada coisa linda, coisas que foram dos meus pais e que agora eu não estou conseguindo descartar... São memórias vivas dele. É como se eles estivessem ali, dentro daquele monte de caixas...

A analista endureceu:

- Você quem sabe. Cobro o mesmo preço pelas faxinas externas ou internas, mas a minha especialidade são as de dentro...

O analisado continuou:

- Gosto que respeitem a minha vontade e hoje eu quero falar dessas limpezas externas que também têm tudo a ver com os meus sentimentos, com a minha história e também com a minha vida interior... 

- Fique à vontade, se bem que as faxinas internas levam mais tempo que as externas...

Após um certo silêncio, quando o homem precisou para digerir a nova provocação que acabara de ouvir, ele continuou, agora pausadamente:

- Fico sem entender, porque eu não consigo descartar as coisas deles... Já tem 8 anos que ele morreu e mais de 20 que ela se foi...

- É realmente estranho essa enorme dificuldade de jogar fora ou doar as roupas que, sabemos, nunca mais usaremos... Será que nós gostamos delas tanto assim, como as crianças amam aqueles paninhos velhos que elas ficam esfregando em seus narizes, na hora de dormir? Você acha que descartar e doar é como dar um fim a um pedaço de nós mesmos?

E você, é apegado às coisas que possui, mesmo sabendo que várias delas jamais usará, de novo? Ou já aprendeu a doar, fazendo enorme bem a quem realmente precisa? Uma boa leitura!

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