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Bié Barbosa

Bié Barbosa BIÉ BARBOSA, jornalista e publicitário (UFMG), nascido em Pará de Minas em 22/11/53, é casado com Maíza Lage com quem tem 4 filhos. SEU LEMA: “O SENHOR É MEU PASTOR, NADA ME FALTARÁ”!



20/02/2020 - GENTE PENSANTE

GENTE PENSANTE

Veja também a crônica deste mesmo colunista da edição 1803 abaixo: 

ATO DE SUPREMO AMOR E HUMILDADE, DENTRO DO PRÓPRIO LAR

Pronto para sair naquele sábado de outono, o alvo rapaz fez algumas caretas para si mesmo, de frente para o espelho. Sorriu, franziu a testa fazendo expressão de triste, de inteligente, de surpreso e outras tantas. Depois, olhou-se lado, deu 2 puxões nas laterais da blusa GG sobre o seu corpo M, mais um toque no topete a la Elvis Presley e se foi. Não sem antes gritar:

- Bença, mãe! Bença pai! (*)

A mãe recomendou:

- Deus te abençoe, não volte muito tarde e não beba, pelo amor de Deus! 

Caçula de uma família de 3 filhos, aquele moço, 17, ligou o celular no spotify, colocou os pequenos fones verde kiwi nos ouvidos e saiu caminhando, meio que dançando. Quando chegou na poderosa praça, juntou-se a outros jovens, meninos e meninas, e desceram rumo à badalada casa noturna. Como a fila estava imensa e chuviscava muito, eles se aglomeraram, tirando dos corpos os seus coloridos casacos para cobrir as cabeças deles mesmos e de mais um amigo ou amiga. Vendo de longe parecia até uma única pessoa. E pra falar a verdade adolescentes são assim mesmo: andam em bando, para se sentirem um inteiro, nessa fase de inseguranças e incertezas. Quando eles entraram na casa noturna, os meninos amarraram os seus casacos nos quadris, ficando, de costas, bem parecidos com as meninas com suas minissaias. Foram para a pista de dança, onde quase quebraram os esqueletos de tanto dançar, rebolar e beber cerveja, além de gin com energético. Rodavam os copos de mão em mão, fazendo o que não deviam nunca fazer: misturar bebidas. E haja wohooo (**) para tanta alegria! Gritavam, pulavam e cantavam muito, principalmente quando a música era eletrônica ou funk bem desbocado. Só deixaram a boate depois das 4 horas, com a maioria deles muito bêbados! De volta à poderosa praça, eles fizeram um balanço daquela inesquecível night (***). Depois, cada um foi retornando pra casa, buscados pelos pais. O alvo rapaz colocou novamente os pequenos fones verde kiwi nos ouvidos e começou a caminhada de volta, sozinho. Porém, desta vez, o seu caminhar não parecia dançante, mas cambaleante. Rua, meio feio, passeio e paredes pareciam uma coisa só, rodando à sua frente. Custou a chegar à casa de seus pais, quando tocou o interfone já com a boca enchendo-se de saliva salgada. Levou a mão na boca, tentando tapar o vômito que anunciava a sua imprescindível saída. O portão se abriu e ele subiu a rampa, com muito custo. Sua irmã, 6 anos mais velha, o esperava na porta da garagem. Ele aproximou-se pálido e gelado e lançou tudo, num só golfo morno, todo o líquido alcoólico que estava em seu estômago com muito pouca substância sólida, sobre a beje camisola rendada da mana. Surpresa e sonolenta, ela disse:

- Querido, por que você bebeu assim?

Imediatamente, tirou a camisola suja e foi buscar balde, pano de chão, água e detergente para limpar aquela sujeira ácida.

E você, já viveu atos de amor e humildade assim, dentro do próprio lar? Uma boa leitura!

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