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Bié Barbosa

Bié Barbosa BIÉ BARBOSA, jornalista e publicitário (UFMG), nascido em Pará de Minas em 22/11/53, é casado com Maíza Lage com quem tem 4 filhos. SEU LEMA: “O SENHOR É MEU PASTOR, NADA ME FALTARÁ”!



23/01/2020 - GENTE PENSANTE

GENTE PENSANTE

O editor GP
escreve mais uma crônica: Os
sentimentos diferentes que afloram a cada morte

VEJA NA EDIÇÃO1800:
NAS BANCAS DE 24/01 A 30/01.





Veja também a crônica deste mesmo colunista da edição 1795
abaixo: 

Não pergunte quem é você, mas, sim, quantos você é?

Há ditados que, a princípio, soam inadequados aos nossos ouvidos, por serem carregados de preconceito. Este é apenas um deles:

- Um gambá cheira o outro!

Esse ditado é usado para diminuir uma pessoa em relação à outra, ainda pior. Deixando de lado o preconceito dele, não há como discordar que cada pessoa se agrega, inconscientemente, aos seus iguais ou, pelo menos, parecidos em alguns pontos. Recentemente, só para exemplificar, durante um fraco coquetel de inauguração, os convidados foram chegando e se agrupando: os que bebem muito, os que comem mais, os fitnesses, a elite financeira, os educadores, os mais cultos, etc.. Na pequena roda de 3 personagens cults da cidade - um ator, um músico e um artista plástico - a conversa estava pra lá das nuvens. Disse o artista, ao observar algumas crianças correndo, em tempo de derrubar as bandejas abarrotadas, levadas pelos garçons:

- Crianças são mesmo umas pestinhas e é grande demais a responsabilidade que os pais têm de ter sobre elas. Basta que elas sejam chamadas pelos pais de uma coisa negativa qualquer, para aquilo, um dia, lá na vida adulta, pipocar na cabeça dela, gerando complexos e inseguranças. 

O ator adorou ouvir aquilo e disparou:

- Jesus toma conta! Quando eu era pequeno a minha mãe sempre gritava, quando eu aprontava as minhas artes, que não eram poucas: Ê menino burro! Já cansei de te falar para não fazer isso!!! E de tanto ouvir aquilo, estou fazendo terapia, há mais de 8 anos, para ver se eu acho alguma inteligência na minha burrice (risos).

O músico comentou:

- Eu ouvi tanto a palavra ordinário da boca do meu falecido pai - que Deus o tenha - que, até nos ensaios das marchas cívicas de 7 de setembro, quando eu ouvia o líder da banda gritar: Ordinário! - antes de dar ínicio à marcha - eu sempre achava que era comigo e sentia grande mal-estar (muitos risos).

O artista voltou a falar:

- Os pais antigos, se bem que, nos dias de hoje, ainda existem alguns iguais, tinham mesmo essa mania terrível de julgar os filhos, usando sempre uma mesma palavra pejorativa para corrigí-los. E a gente não pode cristalizar uma pessoa, por meio de uma única palavra, seja ela negativa ou positiva. Afinal, todo ser humano tem muitas faces. Para tanto, basta observar as nossas próprias fotos. Em algumas estamos o ó do borogodó (*), ordinário mesmo (riso). Em outras, com cara de burros (mais risos), de inteligentes, de feios, de bonitos... Ou seja, somos a soma de tudo isso e não apenas as coisas que nos marcaram negativamente na infância! 

E você, já conseguiu romper com algum nome negativo da infância que acabou ficando impregnado em sua memória? Uma boa leitura!


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