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25/08/2016 - “O PRECONCEITO MATA O CORPO E A ALMA”

Em 1989, o jornal Gazeta pará-minense pensou em desenvolver um debate cultural em Pará de Minas, voltado principalmente para os jovens. Realizado mensalmente, com exceção do período de férias escolares (janeiro, fevereiro, julho e dezembro), esse evento é apresentado pelo jornalista Bié Barbosa. Há um pequeno show, com músicos, contadores de história, atores, escritores, etc., seguido de um debate sobre um tema polêmico qualquer. No final, há sorteio de brindes para a platéia, através da sabatina ganha prêmio. Realizado sempre na última 5ª feira do mês, das 19h30min às 20h30min, para uma platéia mínima de 100 pessoas, em locais que se reciclam, anualmente.



“O PRECONCEITO MATA O CORPO E A ALMA”

“O PRECONCEITO MATA O CORPO E A ALMA”

No dia 25 de agosto, o palco do Grande Papo foi a Escola Estadual Avany Villena Diniz que fica ao lado do Caic, bairro Santa Edwirges, onde o tema debatido foi Preconceitos. Os debatedores convidados pela Comissão Organizadora do Evento foram a psicóloga Nágela Caires e o professor de Inglês, Gabriel Morgado. Após o evento, Após o aberto e esclarecedor debate, aconteceu o sempre esperado Ganha Prêmio com brindes de Algar Telecom, Plena Alimentos, escritor José Pereira da Costa (livro Entre Feras) e da própria GAZETA. Em seguida, uma dupla sertaneja de Igaratinga/MG, formada pelos irmãos gêmeos, Higor e Hugo, fizeram uma afinada apresentação. A reportagem GP conversou com os dois debatedores. Veja primeiramente o que disse a psicóloga Nágela Caires.

“Conceito é aquilo que eu vejo e penso quando eu vejo ou conheço uma pessoa e ele pode ser positivo ou negativo. Exemplo: Ela é isso! Preconceito é quando, baseada nesse meu conceito, eu faço um julgamento dessa mesma pessoa sem conhecê-la, tipo ela é isso e, por isso, ela não pode participar de alguma coisa. Ou seja, é quando cometemos uma discriminação. É como um exemplo que eu dei aqui hoje, no debate, sobre a questão de uma pessoa estudar a noite. Eu poderia pensar: estudar a noite é difícil, porque as pessoas já chegam aqui cansadas. Isso é um conceito. Preconceito, neste caso, seria eu dizer que quem estuda à noite, não aprende, porque está cansado. Essa é a diferença, é o paralelo que eu faria. No mais, é primordial a importância da família na vida de um filho vítima de preconceito, porque ela o acolhe e o apoia. Assim, a chance dela vencer esse momento difícil de sua vida é bem maior do quem não tem esse apoio. Adorei o Grande Papo, porque sou fã dessa questão de perguntas como foi feito aqui e também porque achei muito dinâmico. Foi a 1ª vez que eu participei e eu gostei muito, mas muitas perguntas ficaram sem respostas. Quem sabe a GAZETA não aumenta um pouco o tempo deste evento”?, questiona Nágela. 

IGNORÂNCIA - Veja agora o que disse o professor Gabriel Morgado. 

“O preconceito pode ser entendido como o resultado de juízos pré-concebidos, fruto de falta de conhecimento - pura ignorância - que se manifestam através de atitudes discriminatórias. O preconceito - o não conhecimento - é que resulta em pensamentos e ações como o bulling, LGBTfobia, gordofobia, racismo, elitismo e vários outros. O preconceito velado - aquele que é justificado por uma piadinha ou por um costume - tem o mesmo efeito do preconceito explicito; causa o mesmo estrago. O preconceito mata o corpo e a alma e, por isso, precisa ser combatido com o respeito que só vem do conhecimento e da tolerância. Sobre a perguntas enviadas pelos alunos no debate, me senti bem, mas, ao mesmo tempo, preocupado, porque pude perceber uma carência de informação, sede de explicações de coisas e situações que deveriam ser naturais, mas que ainda são vistas como tabu ou como algo que não se deve falar. Os comportamentos e orientações sexuais (não é opção) como tantas outras continuam sendo vistos pela sociedade como marginais. Por isso, a importância de grandes papos como esse, quando a informação é repassada de forma séria e responsável. Afinal, estamos falando para adolescentes que devem ter um desenvolvimento saudável e livre, a partir da formação que recebem”. 

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