Acervo de Notícias

30/09/2016 - NOTAS DO EDITOR

Facebook Twitter Google

NOTAS DO EDITOR

14/12/2017

MEDO DA MORTE E MEDO DE MORRER. FARINHAS DE UM MESMO SACO?

Fim de tarde bonito com o sol ainda brilhando alto, nestes dias de Horário de Verão. Era domingo e aquela turma de amigos passou o dia ao redor da bela e arredondada piscina. Churrasquinho cheiroso e gostoso sendo feito e cerveja bem gelada, servida sem parar. Muitos papos tipo abobrinha, desses de fácil digestão e que não acrescentam nada à vida de ninguém, foram sendo jogados fora, em meio a muita alegria e risos. Claro que falaram das sexualidades de um(a) ou outro(a) ausente para não ficar monótono o encontro. Nessa hora, o riso rolou mais solto ainda. Parece que, quando se fala de sexualidade dos outros, a da pessoa que fala fica camuflada. E como sempre acontece na vida, após um momento de alegria exacerbada, vem sempre outro de tristeza. Daí a pouco, do nada, a moça de óculos com aros grandes e brancos, literalmente chorando de tanto rir ao ouvir e também falar das sexualidades de tantos, inclusive artistas, falou:

- Vou falar uma coisa pra vocês: morro de medo de morrer...

O moço louro de cabelos lambidos, de tão lisos, argumentou:

- Credo, mudou de sexo para caixão (riso). Mas já que o assunto agora é este, eu não tenho medo da morte! A hora que ela chegar, seja a hora que for, será bem-vinda, porque eu estou pronto.

O moço de colorida boina reggae também deu a sua opinião:

- Olha, eu acho a vida tão boa, mas tão boa, que ainda não passou pela minha cabeça, até hoje, essa idéia de morrer... Conclusão: negação da morte e eu também devo ter muito medo de morrer.

Entre aqueles ex-colegas de ensino médio, que, desde a formatura, todo ano se encontram, havia uma moça de semblante intelectual que também deu a sua opinião:

- Olha, gente, vocês estão falando duas coisas bem diferenciadas: medo da morte e medo de morrer. A primeira – o medo da morte - acredito eu, que há quem tenha e quem não tenha medo. Agora, o medo de morrer – aquele momento exato em que chega a hora de partir, sem direito a acompanhante – ah, esse todo mundo tem...

E você, já parou para pensar na diferença que realmente há entre o medo da morte e o medo de morrer? Uma boa leitura!

07/12/2017

QUANDO O CORPO E A MENTE FECHAM PARA FAZER UM BALANÇO

No longo, branco e frio corredor do hospital, dois enfermeiros vestidos de verde, conduziam rapidamente a maca que levava uma mulher de quarenta e poucos anos. Ela estava pálida, com os olhos fixos no teto, vendo as fortes lâmpadas florescentes passando em disparada. Assustou-se muito, quando viu uma placa de sinalização no alto de uma grande porta de madeira. Apenas três letras: UTI. Pensou com seus botões:

- Será que estou morrendo? Mas eu não sinto que esteja morrendo.

Passou a noite ali, olhos abertos, ouvindo gemidos de doentes terminais dos dois lados de sua cama. Quando os primeiros raios de luz entraram naquele quarto apareceu uma enfermeira do lado esquerdo de sua cama e falou:

- Bom dia!

Ela respondeu um bom dia sem vida e foi logo perguntando:

- O que eu estou fazendo na UTI?

- Na verdade foi apenas um preventivo, enquanto são feitos os exames para checar o que você realmente tem. Mas já passou e já levarei você para um apartamento. 

Daí a pouco, rodeada de parentes, o quarto daquela paciente mais parecia com uma festa de aniversário. Até balões havia e não era para menos: aquela paciente, tão nova, realmente passou um susto enorme em seus entes queridos. Depois de tanta alegria e comemoração, o quarto se esvaziou. Daquele horário pra frente apenas uma visita por vez. A filha mais velha, que a acompanhava naquele momento, teve de deixar o quarto, quando a melhor amiga da mãe veio da capital especialmente para visitá-la. Com um vaso de lindos e cheirosos lírios brancos, ela entrou no quarto toda falante:

- Está doida, amiga? Como você passa um susto desses na gente sem, pelo menos, dar um aviso?

- É, acho que eu estava precisando conferir a amizade e o amor de vocês!

A amiga riu e, depois, disse, irônica:

- Tadinha! Está muito carente, está?

Conversaram quase uma hora – e a filha lá, perto da recepção, esperando. Houve um momento que a amiga falou:

- Agora, sério: a vida é estranha, não é? Você tão saudável, atleta até, e, do nada, cai nesta cama de hospital. Isso não parece nada com você! Que piripaque foi esse, amiga?

- Olha, para falar a verdade, acho que eu estou meio ou muito estressada. O meu dia a dia não tem sido nada fácil: trabalhando fora, cuidando da casa, do marido e dos cachorros (riso), dos três filhos – uma adolescendo... Muita coisa, você sabe! Mas acho que o que eu queria mesmo era ter feito uma viagem, me hospedando em um hotel cinco estrelas. Aí, sim! Como eu não tive essa opção, fiz o que estava ao meu alcance: uma descansada neste hospital duas estrelas... (risos, muitos risos).

E você, tem parado, de vez em quando, para fazer um balanço do dia a dia de seu corpo e mente? Uma boa leitura!


30/11/2017

ANIVERSÁRIO NA QUARTA-FEIRA SÓ DAQUI A SETE ANOS

Quem me conhece sabe como eu gosto do meu e de todos os aniversários, por acreditar serem essas datas são as mais importantes na vida de toda e qualquer pessoa. Celebro e gosto de ser celebrado! Porém, neste ano, o meu aniversário caiu numa bruta quarta-feira, o dia mais agitado na rotina de meu trabalho. Foi um Deus nos acuda! Muita gente me ligando, visitando, enviando mensagens, áudios e até trazendo presentes e eu sem tempo direito para curtir todas aquelas demonstrações de amizade e carinho. Já ia logo avisando:

- Hoje é dia de fechamento de mais uma edição da GAZETA...

Peço desculpas a todos. Depois, porém, com calma, pude curtir todas as mensagens, cartões, presentes, áudios... Acho que não merecia tanto, mas ganhei uma ótima lustrada no meu ego. Cheguei a comentar com algumas pessoas mais próximas:

- Acho que eu não sou tão ruim como eu pensava...

Então, muito obrigado Aída, Alex de Araújo, Alfredo (RS), Algar Telecom, Alisson Fernando, Amanda, Ana Aurora (Paulinho), Ana Paula (Bento), Ana Silva, Ana Sousa (Aldair, Mig e Arthur), Anderson Esteves, Anderson Vieira, André Leonardo, Andréa, Ângela Grassi, Antônio Lage (BH), Antônio Carlos, Antônio Fonseca, Arlene, Beatriz Mendes, Bete de Melo, Bete Franco, Bianca (BH), Bruna, Bruno (Nova Zelândia), Cacá (BH), Carmen Lúcia, Cássia, Cecília, Cidinha, Cisinha, Clarissa Barbosa (Alemanha), Clarissa Barroso (BH), Cláudia Rodrigues, Cristina Vasconcelos, Cynthia, Damiana (BH), Daniela Duarte, Daniela Maria (BH), Dante, David, Dazinha, Débora Amorim (BH), Débora Matoso/Fernanda (BH), Dedé, Dionísia (SP), Édel, Edelweisinha, Eduardo Abreu (BH), Eduardo Milton, Edwarzinho, Eliana Maura, Eliana da Silva, Eliane Vasconcelos, Elizete, Elke, Equipe Dra. Vanessa Silveira, Equipe Evandro Contabilidade, Equipe Mássima Contabilidade, Erci, Fátima Assunção, Fátima Ribeiro, Fernanda Campolina, Fernanda Mansur, Fernando César, Fernando Teodoro (BH), Fernando Maciel, Flávia (BH), Francelina (Tasso), Fred (RJ), Gabriel Duarte, Gabriel Palotti, Gabriela Duarte, Gabriela Lage (BH), Gabriela Vasconcelos, Geovana (Nova Zelândia), Geraldo (Capoeira Grande/MG), Géssica, Gilka, Gladstone, Glória Abreu, Glória Vasconcelos (Santa Catarina), Graciella (Rodrigo, Áila, Theo e Elis), Guilhermina, Hamilton, Helena Lage (RJ), Helena Palotti, Heloisa e Fernando (BH), Hugo, Inácio Franco, Isabela Amorim (BH), Isabela Vasconcelos, Ivana (BH), Ítalo César, Jennifer (Nova Zelândia), Joana/Jojô, João Caldas (BH), João Gabriel, João Marcus, João Victor, Joice Lúcia, Joice Rodrigues, José Hermano Pinto, José Márcio (BH), José Roberto, Josiane Melgaço, Juan Jeronimo (Chile), Júlia Lage, Júlia Mansur (BH), Júlia Menezes, Júlio (Nova Zelândia), Júlio Oliveira, Júnia, Jussara, Káthia Xavier, Laís (Capoeira Grande/MG), Lara/“mamãe” (BH), Laura, Lauro, Lavínia (BH), Letícia (BH), Lívia Lage/Belíssimo (Irlanda), Lívia Laurito (Lagoa Santa/MG), Lúcia, Luciano Mendes, Lúcio, Luiz Carlos Pereira, Luiz Felipe, Luna/“vovó” (BH), Maíza, Marcelo Santos, Marcelo Diniz (EUA), Márcia Fonseca, Márcia Grassi, Marciana, Marcos Rodrigo (BH), Maria Diniz Academia, Maria José, Maria Luiza, Maria Nazaré, Mariângela, Marília Lopes, Marina Lage (Ipatinga/MG), Marina Miranda (Itaúna/MG), Maristela, Marquinhos, Marta, Matheus (BH), Matheus Araújo, Mathieu Demarret (Bélgica), Maura Eliana, Maurício Azevedo, Micheline, Moacir, Milene, Myrtes, Nádia, Nagibinho, Neusa (BH), Neto, Niltinho, Nízia Moreira, Olívia Antunes, Onilza (Nova Serrana/MG), Osvaldo Lage, Osvaldo Milton, clube Patafufo, Pauliana, Paulo Marinho, Paulo Vilaça, Piri, Piu, Raisa (BH), Regina Fonseca, Regina Penna, Rogério, Ronaldo, Rosângela Amorim (BH), Rosângela Frágola, Sabrina, Sandra Barbosa, Sandra Mendes (RJ), Sérgio Lage (BH), Sérgio Alvarenga (Nova Zelândia), Silvânia Tibúrcio (Dores do Indaía/MG), Sinara, Sofia (Alemanha), Solange Amaral, Solange Gonçalves, Sônia, Stella, Susana, Tânia (BH), Teresinha Belleza, Terezinha Lara, Thiago Nasser, Vanessa (BH), Vânia Flores, Vânia Machado, Vânia Navarro, Vânia Lage, Wayne, WL Cabeleleiros (BH), Yolanda Cáfaro, Zé Srur (RJ) e Zezé.

Como, hoje em dia, as formas de comunicação são diversas, posso ter deixado de citar um(a) ou outro(a) e, desde já, peço desculpa. E para o meu aniversário cair novamente em uma quarta-feira só daqui a sete anos. Ainda bem...

E você, gosta de festejar mais um ano na sua vida? Uma boa leitura!

23/11/2017

A MOTO, A MORTE E A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

No triste velório, as pessoas em geral estavam bastante abaladas, porque aquela morte jamais poderia ter sido prevista. Afinal, o normal da vida, geralmente, são as pessoas mais velhas morrerem e não as mais jovens. E naquele dia as pessoas estavam velando um menino de apenas vinte anos, vítima de mais um acidente no, cada vez mais louco, trânsito. Apesar do silêncio que ali reinava, algumas pessoas conversavam, usando um tom de voz bem baixo, quase inaudível. O empresário de sucesso, acompanhado de seus três filhos adolescentes, amigos da vítima, falou para um colega de escola, mantendo o olhar em seus meninos:

- Estes meninos vivem me pedindo para comprar pelo menos uma moto para eles e eu venho arrastando essa decisão, há mais de um ano. Acho que agora, vendo o que aconteceu com mais um amigo deles, eles vão parar de me pedir. Quando eu era jovem, meu pai também nunca atendeu ao meu pedido de ter uma moto. Ele sempre me respondia assim:

- Moto é morte!

Hoje, vejo que ele tinha total razão. Os filhos, após ouvirem isso, viraram os olhos para o alto, demonstrando total falta de paciência com o pai. 

Em outro canto do velório, uma artista plástica comentava com um membro da família do rapaz morto:

- Este menino partiu assim, tão novo, porque era um espírito mais evoluído. Pessoas que vivem pouco neste patamar, onde hoje nos encontramos, é porque já estão prontas para subir e, finalmente, decifrar o grande mistério desta vida terrena.

Uma mulher espírita, passando perto, ouviu aquele comentário e, mais adiante, comentou com um amigo:

- Imagine, a fulana está dizendo ali que esse menino morreu novo assim, porque o seu espírito era mais evoluído. Como se morrer mais jovem fosse sinal de evolução espiritual. Me deu uma vontade de chegar perto dela e falar:

- Se fosse assim, padre Libério, Chico Xavier, irmã Dulce, entre tantos outros, não teriam vivido tanto!

E você, acha que evolução espiritual tem algo a ver com a idade que se morre? Uma boa leitura!

16/11/2017

QUANDO AS PALAVRAS SE ALOJAM PARA SEMPRE NAS MENTES

Foi um casamento mais reservado com muito menos convidados do que esses enlaces atuais, onde há uma gigantesca disputa para fazer melhor que o melhor dos melhores. Porém, era rico em detalhes e singelezas. Só estava ali reunido quem realmente tinha algo a ver com a história daquele jovem casal. A cerimônia religiosa, realizada ao ar livre, foi espetacular! Não pela diferente e delicada decoração, mas pelas palavras do celebrante. Na hora da homília, ele perguntou para a linda noiva de véu exuberante:

- Quem você ama mais nesta vida?

Ela respondeu com outra pergunta:

- Só pode ser uma pessoa? Porque amo os meus pais, irmãos e o meu noivo com a mesma intensidade.

Aí, o celebrante fez a mesma pergunta para o noivo, que respondeu:

- Como estou deixando a casa dos meus pais para viver só com ela, acredito que o amor que sinto por ela é maior ainda que o que eu sinto por ele, porque, além do amor fraterno, há o amor carnal.

Disse, então, o jovem celebrante: 

- Belas respostas, bem parecidas com o que todos os noivos respondem. Porém, antes de tudo e depois de Deus, temos de amar, primeiramente, a nós mesmos. Sem ter essa consciência é muito difícil amar ou ser amado por outras pessoas. Para amar alguém é preciso se dar conta dos problemas da outra pessoa, fazendo alguma coisa de útil por ela. Diria até que amar nada mais é – apesar de ser muito difícil – que manter sempre, na riqueza ou na pobreza, o nosso equilíbrio para colaborar para que o outro possa também equilibrar-se sempre nas várias facetas desta corda bamba de vida...

Ao ouvirem isso, os aplausos dos seletos convidados foram tantos e tão entusiasmados que o celebrante apenas agradeceu com gesto positivo com a cabeça e passou para a parte seguinte da celebração. Até hoje não se sabe se ele diria algo mais...

E você, já assistiu alguma homilia, palestra ou debate em que assunto abordado nunca mais saiu da sua cabeça? Uma boa leitura! 

09/1182017

Tendo alguns filhos morando no exterior, as pessoas sempre questionam aquele casal de pais sobre isso. Falam, mais ou menos, assim:

- Ah, não sei se eu daria conta de ficar longe assim, tanto tempo, sem ver meus filhos. O máximo que eu aguento são quinze dias. Mais que isso eu realmente não dou conta! O tal casal, que não costuma render assunto sobre isso, diz quase sempre assim:

- A gente se acostuma.

Vez por outra, eles chegam a dar alguma satisfação sucinta, como essa:

- Hoje em dia, com este mundo globalizado, através de tantas redes sociais, não há mais distâncias. Basta teclar nesse aparelhinho chamado celular e o mundo vem às nossas mãos. 

Na intimidade, porém, aquele casal sempre comenta e comemora as vitórias de seus filhos distantes. Para eles, são mais que vitoriosos, uma vez que estão avançando profissionalmente em países de Primeiro Mundo – tão diferente do nosso Brasil - e tendo de usar, o tempo todo, uma segunda língua. Recentemente, ao receber amigos para um jantar em sua residência, um amigo mais falante, em tom de brincadeira, disse para o casal anfitrião:

- Seus filhos não devem gostar muito de vocês não! Se gostassem, estariam aqui, ao lado de vocês. Olha só que delícia de casa vocês têm!

Houve quem risse. O casal riu amarelo e nada respondeu. Minutos depois, na cozinha, ajudando a esposa na recepção, o marido falou para a esposa:

- Vou dar uma resposta para ele...

A esposa foi contra:

- Bobagem! Delete isso. Não vale a pena. O que você vai ganhar com isso? Como dizia minha mãe: releve. 

Ele nada mais disse, mas, após servidas as deliciosas sobremesas, ele dirigiu-se ao convidado falante e falou, em tom suave:

- Sobre os nossos filhos que estão fazendo carreira em países tão distantes gostaria de lhe dizer que amar de verdade não é ficar do lado deles, o tempo todo, sofrendo e vibrando com o que está acontecendo com eles. Amar de verdade é quando nós, enquanto pais, conseguimos sair do controle doentio da vida deles. Só assim eles se sentirão verdadeiramente amados e terão segurança para voar - como fazem os filhotes das aves - deixando para trás o ninho que lhes deu origem e buscando horizontes ainda maiores!

E você, tem permitido que seus filhos voem alto, bonito, nesta fulgaz passagem terrena? Uma boa leitura!

26/10/2017

EXISTE DIFERENÇA ENTRE AS NOTÍCIAS DAS REDES SOCIAIS E AS DO JORNAL IMPRESSO?

Na audiência judicial, na qual o homem das letras foi intimidado vinte e oito dias antes, a juíza de semblante sério e pálido surgiu, quando a suposta vítima e o acusado já estavam assentados bastante constrangidos, um de frente para o outro. A juíza, ao perceber que a vítima estava acompanhada de advogado e o acusado não, perguntou:

- O senhor não trouxe um advogado?

O homem das letras respondeu:

- Se Vossa Excelência não se importar, gostaria de fazer a minha própria defesa, apesar da empresa ter um.

A juíza consentiu e deu início à audiência. Com os óculos meia-lua na ponta do nariz, ela foi relatando, vagarosamente, um resumo da grossa pasta que ia folheando. A escrivã, sentada ao lado dela, digitava tudo com rapidez de estrela caindo. Ao encerrar, perguntou ao homem:

- O senhor sabia que a vítima não queria que essa matéria fosse publicada em seu jornal?

- Sabia sim. Ela até me ligou me alertando para não publicar.

- Por que, então, o senhor publicou?

- Porque não foi nenhum furo de reportagem. O tal evento já tinha sido mostrado em vários sites, whatsApps e instagrans. Tudo instantâneo, enquanto o evento acontecia, através de flashes dos próprios convidados e parentes dela. 

A juíza, então, questionou a mulher:

- A senhora confirma o que ele está afirmando?

- Confirmo sim, mas eram só essas bobagens de redes sociais, tipo vapt, vupt. 

O jovem e inexperiente advogado tomou para si a defesa:

- Doutora, a senhora bem sabe que essas redes sociais são vistas rapidamente, porque os internautas querem ver várias outras coisas, ao mesmo tempo, o dia todo. Ou seja, não fixam imagem nem mensagem de nada, porque sabem que existem muitas montagens e ninguém leva mais a sério a grande maioria das coisas que circulam velozes pelas milhares de redes sociais. Agora, convenhamos: quando sai publicado nesse jornal impresso, com dezenas de anos de circulação e com a indiscutível credibilidade de suas notícias é diferente, muito diferente! É um veículo de comunicação que tem muita visibilidade e fica passando de mão e mão, durante anos. Esse jornal documenta, faz história, porque entra em centenas de lares e empresas, onde as pessoas que lêem tudo, de cabo a rabo, e agora estão fazendo chacotas com a minha cliente. Fatalmente, doutora, ela sofreu e ainda está sofrendo danos morais seríssimos, por causa dessa indevida publicação. 

Muitos diálogos ainda aconteceram naquela antiga e preservada sala até a juíza dar sentença favorável ao homem das letras, por se tratar de uma notícia que já tinha caído no domínio popular, antes da publicação do jornal impresso.

E você, como analisa essa moderna questão? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 19/10/2017

MACUMBEIRA DE SI MESMA

Abandonada pelo namorado, após quase sete anos de namoro, aquela moça, literalmente, pirou. Seus olhos perderam o brilho e seu rosto, do dia pra noite, envelheceram dez anos ou mais. A família percebu, mas deixou passar um tempo, acreditando que ela, aos poucos, iria recobrar a autoestima. Que nada! Passaram-se dois meses e ela foi ficando cada dia pior. Decidiram, então, levá-la à Upa 24H. O jovem médico de plantão, apesar do pouca experiência, não teve dúvida e deu logo o diagnóstico: 

- Ela está fortemente deprimida e vai precisar de um médico psiquiatra.

Falaram em psicólogo, amigo da família, mas o jovem médico contestou:

- O caso dela é para psiquiatra, inclusive com administração de remédios.

Na 1ª consulta, a moça falou do repentino término do namoro, não contendo as lágrimas:

- O senhor acredita em macumba? Acho que só pode ter sido isso. Estava tudo tão bem entre nós e, de repente, ele se esfriou totalmente comigo. Me falaram que teve gente que escreveu o meu nome em um papel, dobrou bem dobradinho e colocou num congelador...

E assim se passaram meses a fio aquelas sessões psiquiatras, realizadas duas vezes por semana. A paciente relembrava ali todos os momentos felizes que ela havia passado ao lado do ingrato namorado e não encerrava uma única sessão, sem deixar de citar o bendito papel dobradinho com o nome dela dentro do congelador. Não havia remédio, nem seções de terapia que fizessem aquilo desaparecer da cabeça daquela moça. Um dia, porém, o psiquiatra falou o que ele realmente precisava ouvir, há tempos.

- A tal macumba que você está sempre citando não é melhor, nem pior que você. Aliás, ninguém se torna melhor ou pior por ser católico, espírita, evangelista, umbandista ou qualquer outra religião que tiver. Você, por exemplo, que está tão preocupada com macumba dos outros, mal sabe que o maior macumbeiro de sua própria vida tem sido você mesma...

E você, acredita que uma pessoa possa ter poder maléfico sobre outras? Uma boa leitura!

SEXTA-FEIRA - 13/10/2017

QUEM QUER, FAZ O PRÓPRIO TEMPO E NÃO FICA ARRUMANDO DESCULPAS

Ao sair da empresa, tarde da noite, aquele empresário passou email para quase todos os funcionários. Isso, porque, no outro dia, ele não estaria na cidade. Quando retornou à empresa, dois dias depois, viu que quase todas as funções tinham sido realizadas, ainda que algumas estavam em realização. Na verdade, uma única funcionária, viciada em redes sociais, meio preguiçosa e sem estimulo próprio, não tinha realizado nada do que havia sido solicitado pelo patrão. Respondeu, ao ser indagada, por interfone, sobre a realização do trabalho passado por ele:

- Ainda não! Não tive tempo...

O proprietário não bateu de frente, mas enviou para ela, imediatamente, um texto que ele já tinha em seu arquivo. Dizia assim:

- * Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos, pelo menos uma centena de vezes. * Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo. * Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo. * Durante o dia, você faz o que todos fazem. Mas para obter um resultado diferente da maioria você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados. * Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando cerveja e comendo batatas fritas. * Terá de planejar, enquanto os outros permanecem de frente para a telinha do whatsApp ou do aparelho de televisão. * Terá de trabalhar, enquanto os outros tomam sol à beira da piscina. O mundo não está nem aí, se você está cansado ou triste, porque ele não para! * Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão e a ilusão não tira ninguém de onde está. Na verdade a ilusão é o combustível dos perdedores, pois quem quer realmente fazer alguma coisa, encontra um meio, arruma um tempo. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa...

E você, está mais para achar o meio ou também está acomodado nas desculpas? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 05/10/2017

DORES E LÁGRIMAS NÃO DEVEM SER POUPADAS

O homem das letras esteve no enterro de um grande e velho amigo. Não houve quem não lhe perguntasse:

- Uai, você estava viajando? Não vi você durante o velório, nem ontem à noite, nem hoje.

Ele não rendeu assunto. Não quis dar explicação sobre o seu jeito de ser, porque, realmente, não participa de velórios. Não aprecia esse hábito ocidental de ficar lamentando a partida de alguém que já não está mais ali. Fora isso, tem a crença de que os espíritos não evoluídos ficam rondando os velórios, procurando pontos de luz para se alojarem. Tem também o hábito de nada dizer nessas horas, quando toda e qualquer palavra não tem o menor valor. Vale mais a presença, o afetuoso abraço e o colo para quem está sofrendo. Não passaram três dias daquela triste despedida, ele teve de voltar ao local para levar algum conforto aos familiares de uma conhecida. Voltou sozinho, andando pensativo sobre as trilhas acimentadas do cemitério. Observou, à certa distância, uma senhora passando a mão, vagorosa e demoradamente, sobre a lápide de uma jovem filha, morta durante mais um acidente de moto. Parou e ficou olhando a dor daquela mulher acarinhando aquela sepultura cinza como se estivesse acariciando o rosto da própria filha. Suas lágrimas corriam fartas sobre o rosto. O homem das letras ficou pensando que aquela mãe, ainda jovem, não estava conseguindo desapegar-se da filha e, com certeza, estava ali lamentando e rezando para suportar sua partida tão prematura e dolorosa. Pensou em se aproximar, mas não teve coragem. Sabia que esse caminho de superação é solitário e qualquer fala dele pouco ou nada acrescentaria. Continuou andando rumo ao grande portão que, um dia, querendo ou não, a todos nós se abrirá. Concluiu, porém, que aquela mulher, pelo menos, estava no caminho certo. Afinal, emoção não é poupança e, nessas horas, melhor não economizar gemidos, suspiros e lágrimas para superar essa dor que dói fisicamente, literalmente. 

E você, como costuma superar essas tristes separações? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 28/09/2017

EM QUE CATEGORIA DE CIÚME VOCÊ SE ENQUADRA?

Na antiga sala, uma vez por mês, a experiente analista reúne todos os seus clientes para uma sessão coletiva, fora de seu moderno consultório. Os temas escolhidos por ela são aqueles que mais destaque tiveram, nas análises individuais feitas, durante o mês. Dessa vez, foi sobre o ciúme e, já na abertura, ela falou algo para que nenhum cliente negasse o seu ciúme, como geralmente acontece. Falou:

- Todos nós temos, por mais oculto que seja, ciúme de alguém. E a minha ideia no encontro de hoje é descobrirmos que tipo de ciumento nós somos. Quem poderia se expor 1º?

Disse o homem de aproximadamente cinquenta anos:

- Ainda que você tenha falado o contrário, não acho que eu seja ciumento. O que eu faço nada mais é que zelar pelo meu amor...

Falou em seguida a mulher de trinta e poucos anos:

- Se eu sinto ciúme, sei disfarçá-lo muito bem. Nunca dei ataques, principalmente em público.

Chegou a vez do moço de barbicha:

- O ciúme corrói a gente por dentro, quando temos absoluta certeza de que estamos sendo traídos... mesmo sem ter a mínima prova. Mas quando a gente desconfia, pode saber... É como se diz: onde há fumaça tem fogo!

Houve outras falas – afinal, todos foram obrigados a falar – quando os outros repetiram, ainda que de maneira diferente, o que já havia sido falado pelos três personagens aqui citados. Depois, a experiente analista tomou a palavra e disse, segura de si:

- Há três tipos de ciumento: * O que se diz zeloso, mas acaba limitando a liberdade do outro. Ele é difícil de ser combatido, porque trata-se de um inimigo oculto. * Tem também o ciumento artificial que, um dia, fatalmente vai explodir e causar uma enorme confusão. * E tem ainda o ciumento paranóico que vive investigando o(a) parceiro(a), trazendo problemas para a sua própria rotina. Porém, é bom que se saiba, que os três - não há exceção - têm autoestima abalada e muito medo de perder o(a) outro(a). No fundo, no fundo, são pessoas que traem o(a) parceiro(a), nem que seja apenas em pensamento. Dessa forma, transferem para os seus cônjuges aquilo que são eles que realmente são. Mas é bom que todos saibam que, se não houvesse quem tolerasse o ciúme, ele não existiria. Enfim, o autoconhecimento é fator chave para identificar as situações em que o ciúme pode se tornar uma ameaça para a sua vida e a melhor maneira de alcançá-lo é contar com a ajuda de um psicólogo.

E você, consegue tolerar bem o ciúme do(a) outro(a)? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 21/09/2017

O QUE O GANDHI TEM A VER COM OS 158 ANOS DE PARÁ DE MINAS?

Através das redes sociais, tomei conhecimento de um texto sobre o exemplar indiano Gandhi. Gostei tanto do que li que o reservei para publicar nesta Edição Comemorativa dos 158 anos de emancipação político-administrativa de Pará de Minas. Isso, porque acho que os políticos e administradores em geral deveriam ter, sempre, tiradas inteligentes como essas do, então, jovem Gandhi. Saboreie.

“Quando Gandhi estudava Direito, na Universidade de Londres/Inglaterra, existia um professor, chamado Peters, que não ia muito com a cara dele. Certa vez, estava o professor no refeitório, quando Gandhi sentou-se próximo a ele que, indignado, lhe perguntou:

- Senhor Gandhi, o senhor sabia que pássaros e porcos não comem juntos?

Gandhi respondeu, imediatamente, enquanto levantava-se para sentar-se em outra mesa:

- Está certo, professor. Já estou voando!

 O professor ficou furioso e resolveu vingar-se dele e escolheu até o dia: durante o próximo teste escolar. Quando chegou o dia, o professor o alfinetou-o, mais uma vez:

- Senhor Gandhi, eis que o senhor está andando numa rua e encontra uma bolsa. Dentro dela existe a Sabedoria e um pacote com muito dinheiro. Com qual deles o senhor ficaria?  Gandhi responde:

- Eu ficaria com o pacote de dinheiro, professor.

O professor, após rir muito, disse, perante todos os colegas de Gandhi:

- Se eu fosse você, teria ficado com a sabedoria.

- Está certo, professor. Cada um fica com aquilo que não tem!

O professor ficou tão enlouquecido com a resposta e os risos dos alunos que escreveu na prova de Gandhi:

- Idiota!

Gandhi recebeu a prova, leu aquilo e respondeu:

- Professor, o senhor só assinou a prova. Esqueceu-se de me dar a nota!

Moral da história: Semeie a paz, o amor e a compreensão, mas não deixe de tratar com firmeza a quem trata você com desprezo.”

Ou você acha que gentileza é sinônimo de ser capacho? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA 14/09/2017

É POSSÍVEL CASAR COM ALGUÉM QUE SE ODEIA?

Livraria cheia de intelectuais com seus cortes de cabelos quadrados e um pouco longos, sem falar nos modelos esquizofrênicos dos óculos de alguns. Todos calados, parecendo estarem em pânico por ter de ficar frente a frente com outros seres humanos. Olhavam-se com rabiscados olhares que se abaixavam ou se elevavam, com rapidez felina, para não baterem, talvez, com os prováveis espelhos de suas alunas. Na hora marcada, britanicamente, o diretor da livraria, empresa já em sua 3ª geração, apresentou o reconhecido escritor que lançaria ali mais um de seus romances. Simpático, mas também estranho como a plateia, o autor fez uso do microfone para falar um pouco do lançamento. Em dado momento – não demorou muito – perguntou:

- Alguém poderia me responder o que é preciso para que duas pessoas resolvam se casar?

Um homem de boina vermelha respondeu à queima-roupa:

- Apesar de achar uma das coisas mais improváveis do mundo - colocar duas pessoas morando e dormindo sobre um mesmo teto - acredito que é preciso muito tesão. 

Houve quem risse. Uma senhora gorda, de pele esticada como um tamborim, também deu a sua resposta:

- Sou menos cética em relação ao casamento, pois acho que o responsável por um acasalamento qualquer é e sempre foi o amor. É ele, aliás, que faz o mundo girar!

Houve aplausos. Mas nenhuma das vinte e poucas pessoas que estavam ali disse mais nada. Talvez, se identificaram com as duas únicas falas pronunciadas.

O escritor, então, perguntou, novamente:

- Ninguém quer dizer mais nada? Então, falo eu. O meu novo trabalho fala das duas únicas coisas que levam duas pessoas a viver sobre um mesmo teto: o amor... e o ódio!

As pessoas assustaram-se, através de pequenas, mas ruidosas falas. Ele explicou:

- Se você se unir a alguém por amor não encontrará a felicidade, porque, com o decorrer do tempo, a pouca atenção de um para o outro acabará transformando aquele amor em ódio. Isso, porque se o amor é a palma da mão, o ódio é a costa da mão. Estão ali juntinhos e colados. É só virar a mão e blau! Agora, se você se unir a alguém pelo ódio que sente, com certeza será feliz. Quem odeia não espera nada do cônjuge, pelo contrário. Então, qualquer gentileza do dia a dia, por menor que ela seja, vai se avolumando, no dia a dia, até, um dia, chegar ao seu ápice que é o amor!

E você, teria coragem de se unir a alguém que odiasse? Uma boa leitura!

SEXTA-FEIRA 08/09/2017

AMOR MENDIGADO E TRAIÇÕES

Na sempre fria sala de terapia, onde as quentes emoções do coração acham lugar para mediar as temperaturas, a mulher de batom vermelho e cabelos negros abriu o coração:

- Estou farta de ser mendiga do amor. Desde que nos casamos, há 17 anos, sempre tenho de mendigar amor e sexo. Acho que se eu não o procurar, ele nem me procura. Fico me questionando se eu sou fogosa demais e ele mais frio. Não sei... Fico louca e não me sinto realizada nesta parte. Cansei de ficar mendigando amor. Sinto-me rejeitada, jogada para escanteio... 

O experiente terapeuta perguntou:

- Você poderia me falar um pouco mais sobre isso que está realmente sentindo?

- Um lixo, um traste! É assim que estou me sentindo. Imagine você nunca ter sido procurada pelo marido para uma só noite de amor. Fica parecendo o quê? Que eu não provoco nele a menor atração. Haja lingeries, perfumes novos, batons provocativos... Parece que nem não me enxerga! Estou arrasada de não ser amada, desejada.

O terapeuta indagou:

- Você acha que isso está levando você a algo que você teme?

Depois de um longo silêncio, a mulher respondeu:

- E se já tiver me levado?

- Posso saber para onde?

- Uai, a carência faz coisas, você sabe... Não ser amada, não ser desejada deixa a gente com a baixa estima no chão! Aí, tenho de checar se estou realmente tão desprezível assim... 

- Checar o espelho ou outra coisa?

- Primeiramente, o espelho... Depois, outras pessoas... Aí, você descobre que ainda desperta interesse em alguém... Não era o que eu queria, mas é o que ele tem me forçado fazer...

Ao ouvir isso, o terapeuta diagnosticou:

- Você precisa abrir-se é para a vida e não para as outras pessoas. Abrir-se para a vida é colocar o seu amor próprio em 1° lugar. Perguntar a si mesma: O que eu posso dar a mim mesma? Que amor eu posso me dar? Porque sem esse amor, você vai passar a vida inteira mendigando o amor dos outros e isso – você está certa - não é nada bom! No mais, ninguém dá amor amarrado, obrigado... Amor tem de ser conquistado, dia após dia. Não há trégua...

E você, como você percebe o amor, dentro de um relacionamento? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 31/08/2017

O QUE O RITMO DA FALA TEM A VER COM UMA COMUNICAÇÃO EFICIENTE?

O dia mal acabara de clarear e a trabalhadora dona da casa começou a passar para a sua funcionária do lar, Aparecida, as repetitivas tarefas do dia. Falava, enquanto andava correndo pela casa para não perder o horário de um educador físico personal. Além das obrigações rotineiras daquela 2ª feira, citou mais três atividades extras que deveriam ser feitas, antes da funcionária começar a fazer o almoço. Saiu correndo, entrou no carro e chispou. Daí a pouco, o celular tocou; era a Aparecida. Atendeu suspirando e quase teve um filho, ao ouvir a fala lenta de sua empregada:

- Dona Marilda, a senhora esqueceu de fechar o portão da garagem. 

Ela deu uma freada brusca em seu carro importado e fez viravolta no volante, cantando os pneus, dizendo com voz ainda mais apressada: 

- Já estou voltando, Cida!

Chegando em frente ao portão da garagem, apertou o controle eletrônico e, mal, mal, ele começou a se fechar, ela já cantou os pneus do carro novamente e retomou o caminho, rumo à academia, agora já com dez minutos de atraso. No caminho, encontrou pela frente carros sendo dirigidos por motoristas extremamente calmos(as), fazendo aquela mulher buzinar, irritadíssima, várias vezes. Na hora do almoço, retornou à sua casa com as mãos cheias de sacolas de supermercado e sacolão. Algumas dela com verduras e legumes para serem preparados para aquele almoço almoço. Ao ver a sua funcionária do lar varrendo a casa, lentamente, com fone de ouvido, sorrisão, cantarolando e rebolando a música A Paradinha, de Anitta, ela não agüentou e gritou: 

- Cida, você poderia desligar este som horroroso e me ajudar aqui com essas sacolas todas? 

Quando o marido chegou para o almoço e sentou-se com ela e os filhos à mesa, ela disparou a falar:

- Estou por aqui (fazendo gesto com a mão sobre a testa) com essa Cida! Não sei se ela finge que não entende o que eu falo ou realmente não me entende. É incapaz de fazer inteira qualquer uma das tarefas que eu passo para ela, todo dia. Faz tudo pela metade! Estou farta e, a qualquer hora - estou avisando - mando ela embora e fico sozinha...

O marido, após ouví-la, ponderou: 

- O ritmo da fala é importante demais para uma boa comunicação. Se quem está no comando tem a fala lenta não importa se quem vai executar é lento ou rápido. A comunicação terá cem por cento de sucesso. Agora, se a pessoa que estiver no comando tem a fala rápida, mas o executante é lento a comunicação nunca será eficiente. É preciso, então, falar, no mesmo ritmo da pessoa que vai executar uma ação... 

E você, também já descobriu que esse é um dos motivos dos graves ruídos existentes em toda e qualquer comunicação? Uma boa leitura!

QUINTA-FEITA - 24/08/2017

QUANDO AS ESPERANÇAS CHEGAM AO FIM...

Se todos ouviram, não se sabe, mas quando o homem com mais de oitenta anos chegou perto da aniversariante, que festejava a chegada dos sessenta, ele brincou, após parabenizá-la: 

- Agora, você senta e espera! 

A sessentenária mulher riu muito e perguntou: 

- Esperar o quê?  

Ele não perdoou, encerrando a brincadeira com muito mau gosto: 

- A morte chegar, uai!

A aniversariante ficou tão sem graça que nada mais falou, passando adiante o recebimento dos cumprimentos que chegavam até ela, através de uma longa e barulhenta fila. Uma senhora mais séria, que estava perto do homem com mais de oitenta anos, censurou:

- Não foi delicado de sua parte dizer aquilo. 

Ele sorriu irônico e falou:

- Mas é exatamente isso que eu estou esperando há mais de vinte anos (riso amarelo).

- Você precisa encher a sua vida de boas atividades para não ficar assim...

- Assim como?

- Sem graça, mal humorado, amargo, desagradável e, diria até, infeliz!

- Talvez, mas trata-se da mais pura verdade. A vida nada mais é do que espera atrás de espera. Quando eu estava jovem tinha a esperança de me formar. Depois, fiquei esperando um bom emprego. Depois, quis um carro. Conquistado o carro, sonhei adquirir um apartamento. Aí, veio o desejo de casar, seguido do sonho de gerar um filho, seguido de outros (riso). Aí, quis ganhar um pouco mais para dar condição para os meus filhos estudarem e também terem um curso superior. Por isso, abri a minha própria empresa. Depois, fiquei esperando cada filho conseguir o seu próprio emprego para se tornarem independentes. Aí, eles também se casaram e tiveram seus filhos. Depois, esperei que a grave doença que acometeu minha esposa não a levasse, mas levou... (suspiro). Agora, me responda: O que mais, na idade em que eu me encontro, posso eu esperar, ainda, desta vida? Você pode achar indelicado o que eu disse para a fulana, mas é exatamente isso que eu também estou esperando: a morte chegar! Não há mais esperas para mim! Acabaram-se todas as esperanças!

E você, o que espera da vida, neste exato momento? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 17/08/2017

A TIA VELHA, O VELÓRIO E SEUS QUITUTES

Na casa pequena e com pouca circulação do ar, o homem de trinta anos entrou e torceu o nariz ao respirar o ar contaminado por um cheiro forte de urina dormida. Cumprimentou uma dama de companhia da tia solteira e acamada, há meses. Encenou uma alegria ao vê-la: 

- Quem diria! 90 anos! A senhora é um exemplo de vida para todos nós! Parabéns, querida.

Com seus poucos cabelos amarelados de tinta velha, aquela tia não sorriu, desta vez, dizendo com uma infinita tristeza no opaco olhar:

- Envelhecer é hor-rí-vel!!! 

- Não, não é tia! Há dias em que a gente acorda meio triste mesmo e parece que, logo hoje, a senhora não acordou com o pé direito.

Alisando os poucos fios de cabelo que ainda resistiam em sua cabeça que apresentava uma testa, cada dia maior, o sobrinho continuou: 

- Ainda está cedo e, daqui a pouco, todos os seus sobrinhos – mais de 40, não é? – estarão passando por aqui para cumprimentá-la, fazendo o seu dia bem alegre!

A velha olhou o seu sobrinho e disse, impiedosa: 

- Sabe quantos, de todos aqueles sobrinhos que tenho, ainda vêm aqui pra me ver? Três, apenas três: você, a fulana e a cicrana. 

- Vai ver que estão mais apertados de trabalho ou vivendo algum momento familiar difícil. A senhora sabe que todo mundo é apaixonado pela senhora! Agora me responda uma coisa: quem é a 2ª mãe de todos os sobrinhos desta grande família? 

A aniversariante que estava completando nove décadas de vida falou, ainda mais entristecida: 

- Ninguém, além de vocês três, virá aqui... Nem hoje, nem dia nenhum. Eles só vinham no tempo em que eu preparava salgadinhos e tortas, doces e salgados, e preparando aquelas mesas lindas, cheias de quitutes que eu adorava colocar. Hoje, não tem mais nada isso. Não tenho mais pernas, nem braços e nem vontade de fazer mais nada...

Ao ouvir isso, o sobrinho de trinta anos fez esforço gigantesco para seus olhos engolirem as lágrimas que insistiam em rolar por sua face. Alguns meses adiante, no velório da querida tia, um daqueles sobrinhos ausentes, acompanhado de sua esposa, aproximou-se dele e comentou: 

- Nem todos os sobrinhos vieram. Faltaram fulano, ciclano, beltrano...

O sobrinho de trinta anos saiu de perto, mas não sem antes falar: 

- Deve ser por que não há quitutes!

E você, como tem tratado os seus parentes idosos? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 10/08/2017

AS CRIANÇAS E SUAS FALAS PEROLIZADAS

Criança diz cada pérola e, se a gente não anota, acaba se esquecendo. O caso de hoje aconteceu há quatro anos, quando a criança da história tinha 5. Para você entender o que ele disse é preciso, antes, fazer um pequeno relato sobre o dia que ele nasceu. A mãe desse primogênito começou a ter contrações noturnas e foi logo avisando o marido. Corre pra lá, corre pra cá, aquele pai, também de 1ª viagem, apanhou as sacolas e a pequena mala semiprontas e foi levando tudo para o carro que estava oito andares abaixo do apartamento. O elevador demorou o que sempre demora, talvez dois minutos, mas aquele homem apertou o botão de descer, sete vezes. Quando a porta se abriu, ele ainda tropeçou no pequeno degrau que se fez entre o piso do elevador e o do andar. As sacolas voaram longe para dentro do elevador com ele ajeitando-as com o pé direito. Não deixou de soltar uns bons palavrões. Tudo colocado no porta-malas do carro, ele voltou ofegante para o elevador que já tinha subido. Novos palavrões e apertos incessantes para subir. A caminho da maternidade, com a mulher fazendo respirações cachorrinho – como lhe ensinaram – o marido falou:

- Hoje é dia tal, aniversário do fulano, meu cunhado. Segura aí um pouco para ele nascer só depois da meia noite. Aí, terá um dia de aniversário só para ele! 

Ouviu da esposa o que não queria ter ouvido:

- Vai à merda!!! Será que não percebe que estou morrendo de dor?

Enfim, o menino nasceu no mesmo dia do tio torto. Cinco anos depois, no dia dos aniversários de ambos, o tio que fazia 55 anos ligou e deu ao sobrinho o seu festivo parabéns pela nova idade. Depois perguntou-lhe:

- Você sabe que hoje é meu aniversário também, né?

Ouviu um seco sim. O tio, então, indagou:

- Sabe quantos anos estou fazendo?

- Sei! Cinco!

O tio riu, repetindo espantado:

- Cinco?!?

- É, uai! A gente não nasceu no mesmo dia?

E você, já ouviu alguma pérola como essa, saída das bocas de outras crianças?

Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 03/08/2017

EDUCAÇÃO DE FILHOS ESPELHADA NA NATUREZA

Era um homem sem estudos, um agropecuarista, que não chegou a concluir o ensino fundamental, mas se saiu bem no agronegócio por sua inteligência emocional e visibilidade de longo alcance. Apesar de trabalhar em um setor mais rude e não saber nada sobre o que se prega hoje a psicologia sobre a moderna educação de filhos, jamais encostou a mão  para corrigir - naquela época ainda eram permitidas as palmadas - em nenhum de seus quatro filhos, todos homens. Um dia, um amigo, delegado de polícia, sentado à grande mesa de sua fazenda, saboreando carnes de animais silvestres, preparados por ele que era um cozinheiro de mão cheia, fez um elogio, ao ver os filhos dele à sua frente:

- Seus filhos são muito educados e obedientes!

Ele sorriu e agradeceu:

- Obrigado, mas não são sempre assim como você está vendo aqui, na mesa (riso).

- Coincidência ou não, todas as vezes que venho aqui observo que eles têm educação, diria até exemplar. Diferentemente dos meus... Deus me livre! Ultimamente, eles só tem me dado amolação, principalmente na escola. Como você educa esses seus meninos?

O fazendeiro sorriu, ao responder:

- São eles que estão me educando de novo!

Após aquele delicioso e cheiroso almoço de sábado, o delegado presenciou uma cena daquele pai com os dois filhos mais velhos que o fez entender o tipo de educação que ele realmente lhes passava. A esposa dele, ao ver os dois garotos mais velhos se agarrarem em briga, gritou para o marido:

- Ô Antônio!!! Não está vendo não? Olha os meninos aí, brigando! Faz alguma coisa, sô!

O fazendeiro chamou, então, os dois meninos que pararam de brigar, imediatamente, e se aproximaram do pai com as cabeças abaixadas. Aquele homem apontou para o pasto e mostrou a eles uma vaca que carregava uma peça de madeira em formato de V, amarrada ao pescoço. Falou para os filhos:

- Aquela vaca está carregando uma canga no pescoço, porque, sem ela, ela ultrapassa as cercas, fugindo para os pastos do vizinho.

Os meninos olharam aquilo, mas nada disseram. O pai que, sem muita consciência, sempre educava os filhos, através de exemplos da Mãe Natureza, perguntou, em seguida:

- É uma vaca desobediente, não é?

Os meninos concordaram, balançando positivamente suas cabecinhas. Aí, o sábio pai concluiu o seu ensinamento com uma nova pergunta:

- E você? Precisam de cangas nos pescoços para não brigar mais?

E você, tem corrigido seus filhos com sabedoria? Uma boa leitura!

QUINTA-FEIRA - 27/07/2017

MAIS UMA HISTÓRIA (OU seria ESTÓRIA?) SOBRE O DESTINO DO DINHEIRO DO POVO PATAFUFO

Durante reunião sobre a chegada de mais um empresa de fora a Pará de Minas, que tem sido vista com bons olhos, também pelos empreendedores de fora, o atento jornalista ouviu exatamente isso de um falante empresário local:

- Anos atrás, o Executivo fez uma negociação com um loteador que, em troca de uma boa extensão de terra recebida para o município, criaria a necessária infraestrutura em seu loteamento. Tudo feito como rege a lei, inclusive com assinatura em cartório. O executivo investiu o que tinha e não tinha na terra doada, fazendo surgir um grande parque. Porém, os anos de passaram, mas a promessa de se criar a devida infraestrutura no loteamento ficou a ver navios. Diante disso, recentemente, o esperto loteador fez o que era seu de direito: entrou na justiça, pedindo de volta a boa extensão de terra doada. Só que agora o que era terra de ninguém havia se transformado em um grande e poderoso parque agropecuário. Resumindo a opereta: não há como o Executivo devolver a generosa extensão de terra doada, sem levar junto tudo o que, até agora, foi investido nela.

A maioria dos empresários presentes naquela reunião ficaram de bocas abertas. Um deles perguntou:

- Meu Deus! Será verdade isso?

O falante empresário respondeu logo, feliz por ter se tornado o centro de todas as atenções:

- Quem me disse me garante que o martelo da justiça já foi batido e a terra doada e transformada em tesouro já foi até devolvida ao dono original. Me disse mais: como ele não tem experiência nesse setor e nem quer dirigir o parque, esperto que é, já fez uma nova permuta, desta vez com o maior realizador de eventos – não das noites patafufas – mas do Estado. Para tanto, o dono das noites mineiras mudará, em breve, o seu mega escritório de eventos para dentro do parque, onde realizará as maiores e melhores festas sertanejas de toda essa progressista região. Isso, porque nossa cidade está bem localizada, geograficamente perfeita para receber turistas de todas as cidades ao redor, inclusive de Belo Horizonte... 

E você, acha que o texto de hoje é uma história (real) ou seria apenas uma estória (fantasia)? Uma boa leitura!

20/7/2017 - QUINTA-FEIRA

A IMPORTÂNCIA DE DAR OUVIDOS ÀS PESSOAS

Durante mais uma sessão de uma terapia que vem se arrastando há mais de dez anos, o homem de pouco mais de cinquenta anos falou de uma recente e grave discussão que ele havia tido com a esposa, dias antes. Explicou:

- Fico pensando se essa impaciência que eu estou tendo com todo mundo – em casa, no trabalho e até no lazer com os amigos – seria um reflexo do meu DNA.

O psicólogo estranhou e perguntou:

- DNA?

- É. Data de Nascimento Adiantada... (riso do analisado apenas). Antes eu não era assim, tinha uma paciência de Jó e ouvia todo mundo, sem dar um só pio. Só falava, quando realmente me pediam alguma opinião e olhe lá. Agora, nessa idade avançada, parece que eu só quero falar, o tempo todo. E tem mais: quando interrompem o que eu estou dizendo – mesmo que seja com uma pergunta sobre aquilo que eu estou falando – fico p_ _ _ da vida... Eu não era assim antes. Diariamente, fico me questionando se...  

O terapeuta, interrompendo a fala da analisado, perguntou:

- Você usa muito o whatsApp?

O analisado irritou-se:

- Até você que nunca abre o bico, nem quando eu lhe pergunto alguma coisa importante, agora vai começar a me interromper também? O quê que eu estava falando mesmo?

- Que você não era assim e que agora vive lhe questionando...

- Isso mesmo! Fico me perguntando, diariamente, porque eu fiquei tão ranzinza assim. Deus me livre se eu estiver ficando que nem a minha tia Fulana. Ela era muito chata, sistemática e ranzinza. Ninguém gostava dela, coitada! Também pudera, nunca deu ouvidos a ninguém...

O psicólogo aproveitou o raro momento de silêncio do falante cliente para questioná-lo:

- Você falou algo muito importante agora: saber ouvir! Quando eu lhe perguntei se você está usando muito o whatsApp queria ter lhe ajudado a concluir o que você acabou de concluir, agora. Infelizmente, nessa Era de WhatsApps as pessoas não estão, realmente, ouvindo mais nada. O que, um dia, foi conversa boa hoje não passa de um terrível falatório que acabou transformando os antigos e saudáveis diálogos em abestalhados monólogos...

Sentindo-se ofendido, o homem de pouco mais de cinquenta anos deu mais uma de suas patadas:

- Acho que essa intolerância de ouvir não vem do uso viciante do whatsApp. Acho que é reflexo de terapia, quando o paciente fala, fala e fala, sem parar, para um analista que nunca fala patavina alguma. Parece até que é surdo... 

E você, ultimamente tem falado mais do que ouvido? Uma boa leitura!

13/7/2017 - QUINTA-FEIRA

O DIÁLOGO, O MONÓLOGO E O CASAMENTO DURADOURO

Como o marido de estupim curto tinha gênio muito explosivo, a esposa dele vivia cheia de receios para falar qualquer coisa com ele, por menor que ela fosse. Para falar a verdade, vinha, há anos, evitando ter qualquer embate com ele em público, principalmente na frente dos filhos. Evidentemente que, sem diálogo, a relação entre os dois foi se esfriando e ficando cada vez mais distante. Os filhos não atinaram muito pela coisa, achando que, finalmente, seus pais estavam vivendo um momento de harmonia, raramente visto entre os dois. Certo dia, durante uma conversa, ele contou para ela um caso qualquer acontecido no trabalho dele. Ao falar o nome de um dos funcionários, a esposa perguntou: 

- Qual fulano?

Aquilo foi o suficiente para um verdadeiro vulcão explodir na cabeça do intolerante marido. Disse irritadíssimo com as faces totalmente avermelhadas e as sobrancelhas levantadas até o alto da testa:

- Será que, pelo menos uma vez na vida, você poderia ouvir um caso meu, apenas um, sem interromper o que estou dizendo?                        

A mulher tentou explicar que ela só queria saber qual dos funcionários ele havia citado, já que havia mais de um funcionário com aquele nome, na empresa dele. Disse-lhe:

- Mas na sua empresa, há mais...                        

Pra quê? Aquele marido irritou-se tanto que saiu, aos berros, da saleta onde o casal se encontrava:

- Mas que merda! Você não sabe ouvir ninguém? Não foca em nada? Estou cansado de você com essa cabeça sempre no mundo da lua. Quer saber? Estou por um fio e vou procurar os meus amigos, porque eles sabem me ouvir sem ficar me interrompendo, o tempo todo. 

Saiu de casa batendo os pés e as portas, rumo a mais um encontro com seus colegas de bar...

E você, acha que a essência do casamento duradouro está no monólogo ou no diálogo? Uma boa leitura!

06/07/2017 - QUINTA-FEIRA

ANALISAR OU NÃO ANALISAR, EIS A QUESTÃO!

Certa vez, durante uma exposição na escola de artes local, o querido e saudoso artista plástico Amadeu Mendes, ao meu lado, ouvindo os meus comentários sobre alguns quadros dele, disse-me com sua sempre doce voz, apesar do tom imperativo:

- Pára, Bié, com essa mania de ficar analisando os quadros, sô! Quadro é só pra gente olhar, gostar ou não gostar. Nada mais que isso! Se gostar muito, compra. Se não, deixa aí e vai embora...

Ri muito do jeito dele me falar, mas, apesar disso, continuo com essa mania, estranha pra ele, e talvez seja realmente estranha, de ficar analisando os quadros e fotos que vejo... Gosto de imaginar o que pensou o(a) artista ou o(a) fotógrafa na hora em que ele(a) estava pintando um quadro ou clicando uma foto que me chama a atenção. Difícil acertar, uma vez que o que eu penso sobre a imaginação criativa deles(as) nada mais é do que o meu próprio pensamento. Nunca o dele(a). 

Agora, meses atrás, quando eu vi, por exemplo, esses 3 quadros da sensível artista plástica Lisianny Marinho – que juntos formam um –, durante mais uma Mostra GP, realizada pela GAZETA, aqui na recepção II do jornal, me remetí, imediatamente, a Brasília/DF, vendo nele os movimentos das linhas inquietantes do singular arquiteto Oscar Niemeyer. Vi também o sorriso de um homem de terno, incrivelmente formado por dois outros, me lembrando a alegria, sempre tão discutível, de alguns políticos. Mas vi ainda muito verde (pena que esta página não é colorida) que, apesar da aridez do solo da capital federal, teve o meio ambiente transformado durante a sua construção, fazendo surgir belas plantações e lagoas em um local de tão baixa umidade do ar. Sei, porém, como já disse acima, que a estória que passou pela cabeça criativa de Lisianny, na hora de criar esses três quadros em um deve ter sido bem outra...

E você, também tem esse costume, mau ou bom não importa, de ficar analisando os quadros que vê? Uma boa leitura!

29/06/2017 - QUINTA-FEIRA

DIFERENÇA ENTRE CONVIDADOS E... OS CONVIDADOS

Na capital do país, a bela catedral projetada por Oscar Niemeyer – que lembra mãos postas em oração – foi a escolhida pelo renomado político e sua esposa para celebrarem as Bodas de Ouro do casamento deles. Evidentemente que o mega acontecimento não aconteceu nos dias de hoje. Afinal, qualquer comemoração festiva, hoje em dia, partindo da classe política vai gerar imediata especulação, grampos telefônicos, processos, delações premiadas e as tão sonhadas prisões. Essa grande festa aconteceu há cerca de vinte anos com gente alinhadíssima, dentro e fora da Catedral Metropolitana de Brasília. As esposas dos políticos desfilavam grifes de estilistas famosos. A maioria daqueles pescoços carregavam pedras preciosas que só eram desvendadas, após entrarem no templo religioso. Apesar de ser verão, muitas saíram de seus carrões negros com choferes de luvas brancas, ostentando finas echarpes ao redor dos pescoços. A esquelética moça de olhos arregalados do cerimonial explicou o motivo daquilo para uma bela jovem que acompanhava um político mais velho e muito pouco ainda sabia sobre aquele fútil e corrupto meio. Ensinou:

- Essas senhoras usam echarpes sobre suas joias, porque temem ser vítimas de algum morador carente das cidades satélites que sempre aparecem aqui no Plano Piloto, quando acontece algum evento de vulto como esse.

Após a celebração da bela missa com apresentação do coral magnífico, em torno de quinhentos convidados fizeram longa fila, na porta da catedral, para cumprimentar o casal anfitrião. Uma minoria, porém, em torno de trezentas pessoas, não fez parte daquele ritual, indo diretamente para os seus carros. Evidentemente que tal atitude não passou despercebida, gerando especulação, sendo aquelas pessoas taxadas de mal educadas. Uma esposa de político mineiro comentou com uma esposa de político paulista:

- Lá em Minas, ninguém sai de um casamento sem cumprimentar os noivos. Estou boba! 

No outro dia, porém, a mineira, ao folhear os jornais de Brasília/DF, finalmente entendeu o que realmente havia acontecido. Todas as colunas sociais falavam e estampavam fotos da fantástica ceia para trezentos e vinte talheres banhados a ouro, oferecidos apenas para quarenta por cento dos convidados. A reação das pessoas que só haviam sido convidadas para a missa balançou a capital do país...

E você, o que pensa sobre essa diferenciação feita entre convidados? Uma boa leitura!

15/06/2017 - QUINTA-FEIRA 

UMA NOVA ERA, AINDA QUE AOS TRANCOS E BARRANCOS  

Diferentemente de tantas outras empresas que, quando o fundador morre, as coisas vão, literalmente, para o brejo, a história daquele negócio familiar foi diferente. Sem estudos, mas bastante atinado para o comércio, aquele homem abriu um negócio pequeno que se expandiu muito, também pela falta de concorrentes. Como teve condições para dar estudos aos filhos – e fazer questão disso, principalmente por não ter tido condição de estudar – suas crias deixaram a pequena cidade onde moravam para estudar em boas faculdades da capital. Depois de formados, um deles, administrador de empresas, recebeu do pai o convite para sucedê-lo, assumindo o negócio da família. O filho letrado respondeu:

- O senhor conseguiu muito com a sua empresa, mas hoje ela pode crescer ainda mais, se tiver à sua frente uma visão mais administrativa.

O pai sentiu alívio de ter um filho no setor administrativo-financeiro da empresa, já que não tinha estudo e sempre deixou essa área nas mãos de funcionários de questionáveis honestidades. Era assim, porque tratava-se de uma área que ele realmente nunca gostou muito e nem sabia como atuar direito. Como ele se ausentava muito da empresa para fechar contratos, o filho recém-chegado percebeu, de cara, que os funcionários ali poderiam fazer muito mais do que faziam. Então, fez o óbvio: cobrou mais atitude! Por outro lado, como toda ação sempre tem uma reação, os gestores, principalmente, se arrepiaram. Tentaram derrubar o filho, argumentando para o pai, na calada da noite, que, se a empresa continuasse daquele jeito, todo mundo pediria as contas e aquele próspero negócio, poderia até falir, porque ele ficaria sozinho sem aqueles que ele costumava chamar de seus braços dir

Veja também


 1 2 3 4 5 6 Fim